Pesquisadores criaram algo que salvará milhões de pessoas de horrores e sofrimento: um "mapa" da ressaca

O álcool tem um grande efeito no corpo, e agora nós o mapeamos

Imagens | Lawrence Krowdeed
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Fabrício Mainenti

Redator

A teoria (e a experiência, em alguns casos) nos diz que, quando exageramos no álcool, o dia seguinte é literalmente um inferno. No entanto, apesar de ser um dos problemas mais comuns em muitas sociedades, a ciência continua a desvendar os mecanismos exatos que são ativados em nossos corpos quando a festa acaba. E longe de ser um simples problema de desidratação, o "dia seguinte" é um colapso químico, imunológico e cognitivo complexo.

Um mapa do corpo

Aqui, a ciência buscou criar um mapa de todos os efeitos no corpo após uma bebedeira, e para isso, a Universidade Católica de Louvain usou um aplicativo simples de celular para monitorar um total de 34 jovens adultos que bebiam regularmente.

Por meio desse aplicativo, os participantes podiam cruzar dados de questionários, indicar a intensidade da ressaca e até mesmo a qualidade do sono. Além disso, os usuários indicavam as áreas exatas onde sentiam dor, fraqueza ou dormência em tempo real, mostrando claramente que a ressaca é mais do que apenas uma leve dor de cabeça ou boca seca na manhã seguinte.

O resultado

Depois que todos os participantes coloriram as áreas onde sentiram essas sensações físicas, ficou bastante claro o que estava acontecendo com seus músculos. De modo geral, a dor afetava principalmente as têmporas, e até mesmo o desconforto estomacal parecia uma hiperativação do movimento muscular.

Mas, no outro extremo, havia o efeito de desativação, representado por áreas coloridas em tons frios que indicavam dormência ou sensação de peso nos membros. O fascinante nesses "mapas da ressaca" é que eles não são puramente psicológicos, pois a ciência demonstra que esses mapas têm correlações fisiológicas reais.

Em outras palavras, as áreas que os participantes colorem correspondem a alterações físicas mensuráveis, como a modulação da frequência cardíaca e dos sinais viscerais.

Imagens | Lawrence Krowdeed

É algo fora do laboratório

Tradicionalmente, os estudos sobre os efeitos do álcool são conduzidos em laboratório, analisando todas as variáveis ​​que poderiam mudar, mas a realidade é que ninguém bebe de forma tão controlada no mundo real. É por isso que ir para um ambiente muito mais realista agora dá um toque naturalista que oferece muito mais validade.

Agora, uma representação autêntica da experiência multissistêmica da ressaca está sendo literalmente capturada, equilibrando o rigor científico com a realidade de como o consumo de álcool ocorre em nosso dia a dia.

Um padrão de risco

Por trás deste estudo sobre ressacas, reside um conceito neurocientífico fundamental, chamado fenomenologia interoceptiva. Trata-se, simplesmente, da capacidade do nosso cérebro de perceber e processar os sinais internos do corpo; portanto, mapear como vivenciamos o álcool e a ressaca é extremamente útil para identificar um padrão de risco para o alcoolismo.

A chave está na pesquisa que indica que a forma como processamos essas sensações físicas está diretamente ligada à nossa vulnerabilidade ao vício. Curiosamente, pessoas que não experimentam tantos efeitos físicos durante a ressaca podem ter um risco maior de desenvolver um transtorno por uso de álcool, já que o efeito não é suficiente para que elas estabeleçam um limite.

E isso pode ser crucial para a detecção precoce desse problema sério que pode literalmente arruinar uma vida.

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