O famoso Cometa Halley pode ter recebido o nome da pessoa errada — pesquisadores consideram alterar

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Vika Rosa

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A história da astronomia pode estar prestes a sofrer uma revisão histórica em um de seus nomes mais icônicos. Uma nova pesquisa da Universidade de Leiden sugere que o Cometa Halley, batizado em homenagem ao astrônomo britânico Edmond Halley no século XVIII, pode ter tido sua natureza periódica identificada quase 700 anos antes por um monge medieval.

De acordo com o professor Simon Portegies Zwart e o pesquisador Lewis, o monge inglês Eilmer de Malmesbury teria reconhecido, ainda no século XI, que o cometa brilhante que cruzava os céus em 1066 era o mesmo objeto que ele havia testemunhado décadas antes, no ano de 989. 

A descoberta baseia-se em uma reanálise dos escritos do historiador Guilherme de Malmesbury, cujos detalhes sobre as observações de Eilmer haviam sido negligenciados pelos estudiosos até agora.

O legado de Edmond Halley vs. a percepção medieval

Edmond Halley tornou-se uma figura central na ciência ao calcular que os cometas vistos em 1531, 1607 e 1682 apresentavam órbitas semelhantes, concluindo que se tratavam de um único objeto que retornava a cada 76 anos. No entanto, o trabalho de Eilmer sugere que a percepção de que esses astros não eram eventos isolados, mas visitantes recorrentes, já existia muito antes da revolução científica.

Na Idade Média, a aparição de um cometa era carregada de misticismo e pavor. O registro de 1066 é um dos mais famosos da história, tendo sido imortalizado na Tapeçaria de Bayeux

Naquela época, o cometa era visto como um presságio terrível de fome, guerra e morte de monarcas — crença que se concretizou naquele ano com a queda do rei Harold Godwinson durante a conquista normanda da Inglaterra.

Presságios e "notícias falsas" da antiguidade

Os pesquisadores encontraram indícios de cometas citados em crônicas que não possuem registros astronômicos correspondentes, o que sugere a criação de "notícias falsas" medievais para disseminar avisos de punição divina ou justificar mortes de figuras importantes, como o Arcebispo Sigeric de Canterbury.

Eilmer de Malmesbury, que provavelmente já era um idoso em 1066, teria conectado os pontos entre os desastres de sua época e o retorno do astro. 

Para os cientistas modernos, o fato de um observador do século XI ter compreendido a interligação desses eventos gera um debate legítimo sobre a autoria da descoberta.

A mudança do nome

Embora a pesquisa tenha um tom interdisciplinar entre história e astronomia, alguns pesquisadores se posicionam: se o reconhecimento da periodicidade do cometa aconteceu séculos antes de Edmond Halley, o nome oficial deveria ser mantido?

Atualmente, o cometa é designado como 1P/Halley, sendo o primeiro cometa periódico reconhecido. 

No entanto, especialistas acreditam que a valorização de observadores como Eilmer é essencial para uma compreensão mais justa da evolução do conhecimento humano sobre o cosmos. O estudo planeja continuar investigando outros cometas periódicos para verificar se mais "créditos científicos" foram omitidos pela história oficial.

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