Para muitos de nós, o motor que inicia nossas manhãs tem a cor escura e o aroma torrado que caracterizam o café. É uma das bebidas mais consumidas no mundo, mas sua popularidade tem sido acompanhada por manchetes alarmistas sobre o quão prejudicial é bebê-lo e os efeitos que pode ter diretamente em nossos órgãos. Mas a verdade é que existem prós e contras.
Há boas notícias
Para os amantes de café, será sem dúvida um alívio saber que a literatura científica sugere que o consumo não é tão catastrófico quanto costuma ser retratado. Mas, como tudo na vida, os excessos podem sempre levar a problemas, mesmo que pareçam super saudáveis, como a água, por exemplo. E o café, obviamente, não é exceção.
O limite
Quando se trata de estabelecer um limite para o consumo seguro, a referência clínica não é a OMS, mas sim a FDA e a EFSA, que são as agências reguladoras de segurança alimentar dos Estados Unidos e da Europa, respectivamente.
Ambas as fontes apontam para o mesmo valor para o consumo de café: 400 miligramas de cafeína por dia. Este é um dado muito relevante, visto que, para a grande maioria dos adultos saudáveis, o consumo de até 400 mg por dia não está associado a efeitos nocivos à saúde, o que demonstra que essa quantidade pode fazer parte de uma dieta e estilo de vida perfeitamente saudáveis.
A quantas xícaras de café isso equivale?
É aqui que as coisas se complicam, pois falar em "xícaras" é um erro de análise, já que nem todos os cafés são iguais. Por isso, segundo a FDA (Food and Drug Administration dos EUA), uma xícara de 355 ml, que é um tamanho padrão, pode conter entre 113 e 247 mg de cafeína. Mas tudo isso depende do tipo de preparo, do tempo de extração e do café utilizado, pois o café Robusta tem mais cafeína do que o Arábica, por exemplo.
Mas, em termos gerais, esses 400 mg equivalem a cerca de 3 ou 4 xícaras de café filtrado padrão por dia.
Danos ao organismo
É fácil encontrar mensagens alarmantes alertando que o café pode prejudicar todo o nosso sistema interno se ultrapassarmos uma determinada dose. Mas a realidade é que a OMS não divulga essa mensagem ao público, pois é alarmista demais e não corresponde à realidade. O que é verdade é que o consumo excessivo diário de café tem efeitos significativos em nosso organismo, mas não "apodrece" nossos órgãos internos.
Esses efeitos incluem insônia, nervosismo, irritabilidade, palpitações, tremores musculares, irritação intestinal e dores de cabeça. Isso significa que, embora digamos que o café não seja contraindicado para a população em geral, logicamente, se houver algum problema de saúde subjacente, pode ser melhor evitá-lo, principalmente se consumido em excesso ao longo do dia.
Ele tem benefícios
Já discutimos o café e seus benefícios antes, porque ele oferece vantagens que vão além de simplesmente nos manter acordados pela manhã. Vários estudos já apontaram seus benefícios cardiovasculares e até mesmo sua capacidade de melhorar o desempenho atlético.
Mas o metabolismo individual desempenha um papel significativo aqui, já que não existe um único metabolismo. Algumas pessoas processam a cafeína muito rapidamente e seus efeitos desaparecem rapidamente, enquanto outras a metabolizam lentamente, fazendo com que seus efeitos permaneçam no organismo por mais tempo.
Isso pode levar a problemas como insônia, nervosismo ou palpitações, pois essas pessoas ficam mais "sensíveis" à cafeína. Isso explica, por exemplo, por que alguém pode se gabar de tomar café à noite e dormir perfeitamente.
Existem exceções
Embora estejamos falando de um limite de 400 mg de cafeína, algumas pessoas obviamente não conseguem atingir esse limite, como gestantes, para as quais é recomendado um máximo de 200 mg por dia, já que o excesso de cafeína pode atravessar a placenta e afetar o desenvolvimento fetal.
Os níveis de colesterol também desempenham um papel importante, como aponta a Clínica Mayo, que afirma que o consumo de café não filtrado, como o café turco, pode elevar os níveis de colesterol devido a compostos como o cafestol.
Imagens | Unsplash
Ver 0 Comentários