Esta alga pode puxar microplásticos da água quase como um imã — a solução para este mal do século?

Cientistas usam "Shrek" para testar resultados

Plástico na água
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Uma solução inovadora para um dos maiores desafios ambientais da atualidade pode vir de um lugar inusitado: algas geneticamente modificadas com aroma de laranja. Pesquisadores da Universidade de Missouri desenvolveram uma cepa especial de algas capaz de capturar microplásticos na água de forma extremamente eficiente, funcionando quase como um ímã para esses minúsculos poluentes que costumam escapar dos filtros convencionais das estações de tratamento.

O projeto, liderado pela Dra. Susie Dai, utiliza a engenharia genética para fazer com que as algas produzam limoneno, o óleo natural responsável pelo cheiro das laranjas. Essa substância altera a superfície da alga, tornando-a repelente à água (hidrofóbica). Como os microplásticos também possuem essa característica, eles acabam aderindo naturalmente às algas. Esse contato forma aglomerados pesados que afundam, criando uma biomassa que pode ser facilmente coletada e removida.

Uma abordagem de triplo impacto

A tecnologia proposta pela equipe da Mizzou não se limita apenas à filtragem. O sistema foi desenhado para ser uma solução multifuncional:

  • Remoção de microplásticos: captura partículas microscópicas que poluem rios e acabam na nossa água potável e nos alimentos.
  • Purificação de águas residuais: as algas são cultivadas em águas de descarte, onde absorvem o excesso de nutrientes nocivos enquanto crescem.
  • Reciclagem sustentável: o objetivo final é processar a biomassa coletada — que contém o plástico capturado — para criar novos bioplásticos compostáveis e seguros.

Atualmente, a pesquisa utiliza biorreatores de 100 litros, carinhosamente apelidados de "Shrek", para testar a eficácia do processo. A meta dos cientistas é ampliar essa escala para que a tecnologia possa ser integrada às estações de tratamento de água já existentes nas cidades. Isso permitiria uma purificação muito mais profunda, reduzindo a carga de poluição nos ecossistemas globais de forma escalável e econômica.

Embora o estudo ainda esteja em fases iniciais, os resultados publicados na revista Nature Communications trazem esperança. 

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