Nem rios, nem oceanos: vencedor do Nobel cria máquina capaz de extrair até mil litros de água por dia do ar do deserto

Tecnologia baseada em “esponjas moleculares” tenta transformar a umidade invisível do ar em água potável

Deserto
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora

Surgiu nos Estados Unidos uma aposta para combater a crise hídrica global: uma máquina desenvolvida por uma empresa fundada pelo químico Omar Yaghi, vencedor do Nobel de Química de 2025. A invenção promete retirar até 1.000 litros de água por dia diretamente do ar — inclusive em ambientes secos.

A proposta já está sendo testada como alternativa para regiões atingidas por secas extremas, desastres climáticos e falhas em redes tradicionais de abastecimento.

Como a máquina consegue transformar ar seco em água potável?

O sistema foi desenvolvido pela Atoco, empresa criada por Omar Yaghi, professor da University of California, Berkeley e um dos pesquisadores mais importantes da chamada química reticular.

A tecnologia utiliza materiais conhecidos como MOFs — sigla para estruturas metal-orgânicas — que, na prática, funcionam como uma espécie de “esponja molecular”. 

Esses compostos possuem cavidades microscópicas capazes de capturar moléculas específicas presentes no ar, incluindo vapor de água. No projeto, o funcionamento acontece em três etapas principais:

  1. Material absorve a umidade do ambiente;
  2. Moléculas de água ficam presas nos poros internos;
  3. Sistema aquece o material e libera a água em estado líquido.

Segundo a empresa, unidades do tamanho aproximado de um contêiner de 6 metros conseguem produzir até 1000 litros de água limpa por dia em condições adequadas.

Tecnologia tenta resolver um problema crescente no planeta

A proposta ganhou força porque mira um cenário cada vez mais frequente: regiões onde a infraestrutura de água entra em colapso após eventos extremos. Tempestades, furacões, secas prolongadas e ondas de calor vêm comprometendo reservatórios, tubulações e sistemas elétricos em diferentes países.

Nesses casos, o abastecimento costuma depender de transferências externas, como caminhões-pipa, transporte marítimo, distribuição emergencial de garrafas ou geradores temporários.

Por isso, sistemas capazes de produzir água localmente poderiam reduzir parte dessa dependência, especialmente em áreas isoladas.

Dados divulgados pela United Nations University apontam que cerca de 2,2 bilhões de pessoas ainda não possuem acesso seguro à água potável, além de aproximadamente 4 bilhões que enfrentam escassez severa durante pelo menos um mês por ano e milhões que vivem em regiões vulneráveis a secas prolongadas.

Nesse cenário, especialistas defendem que diferentes tecnologias precisam atuar em conjunto, como dessalinização, reúso de água, preservação de mananciais, captação atmosférica ou redução de desperdícios.

Foto de capa: Shutterstock

Inicio