Os cactos são famosos por seu crescimento lento e por serem sobreviventes persistentes de ambientes áridos, mas uma nova pesquisa da Universidade de Reading acaba de revelar um lado surpreendente dessas plantas: elas estão entre os grupos vegetais que evoluem mais rápido na Terra.
O estudo, que analisou mais de 750 espécies, descobriu que o motor por trás dessa explosão de biodiversidade não é o tamanho das flores ou a especialização de polinizadores, mas a velocidade com que o formato das flores muda ao longo do tempo.
Essa descoberta desafia conceitos que remontam a Charles Darwin, que sugeria que estruturas florais altamente especializadas eram os principais motores para o surgimento de novas espécies. No caso dos cactos, o tamanho das flores — que variam de minúsculos 2 mm a gigantescos 37 cm — não teve impacto na diversificação. O fator determinante foi a ritmo evolutivo: as espécies cujas flores mudam de forma mais rapidamente são as mesmas que se dividem em novas espécies com maior frequência.
Desertos como berços de mudança rápida
A pesquisa revela que os desertos, frequentemente vistos como ecossistemas estáticos e severos, são, na verdade, palcos de transformações naturais dinâmicas. "O fato de os cactos evoluírem tão rápido mostra que o deserto é um celeiro de mudanças biológicas", afirma Jamie Thompson, autor principal do estudo. Nos últimos 20 a 35 milhões de anos, os cactos se espalharam pelas Américas em uma velocidade de diversificação que impressiona os biólogos.
Para chegar a essas conclusões, os cientistas utilizaram o CactEcoDB, um novo banco de dados de acesso aberto que reúne sete anos de pesquisas sobre características, habitats e relações evolutivas dessas plantas. Essa ferramenta será essencial para entender como essa família de plantas, que conta com cerca de 1.850 espécies conhecidas, se comportará diante das rápidas mudanças climáticas atuais.
Atualmente, quase um terço das espécies de cactos está sob ameaça de extinção. Tradicionalmente, conservacionistas buscam características físicas específicas para identificar quais plantas correm mais risco, mas os pesquisadores sugerem que o foco deveria mudar para o ritmo evolutivo.
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