A história mais bizarra que você vai ouvir hoje: parecia uma oportunidade de emprego, mas era a armadilha de um império de US$ 700 milhões que acabou na prisão

Peter Nygard foi condenado a 11 anos de prisão por agressões sexuais cometidas em escritório da própria empresa; filho rompeu laços publicamente e apoiou as vítimas 

Peter Nygard. Créditos: shutterstock
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Peter Nygard foi um dos nomes mais poderosos da indústria da moda no Canadá. Fundador da Nygard International, ele construiu um império de confecção e varejo que chegou a ser avaliado em cerca de US$700 milhões, com operações internacionais e forte presença no mercado norte-americano. Empresário influente, filantropo e figura frequente em eventos de alto padrão, cultivava a imagem de um empresário de sucesso.

Mas, por trás do prestígio e da imagem de empresário bem-sucedido, a Justiça percebeu um comportamento sistemático e predatório contra mulheres entre 16 e 28 anos. Peter Nygard não apenas cometeu crimes contra as vítimas, como estruturou um ambiente que facilitava as agressões. 

Durante o julgamento, foi relatado que o magnata utilizava uma suíte privada dentro da sede da própria empresa, em Toronto, para isolar mulheres que acreditavam estar diante de uma oportunidade profissional, visitas que começavam como reuniões de trabalho e terminavam, de acordo com as vítimas, em abusos dentro de um espaço reservado e longe de testemunhas.

Em setembro de 2024, ele foi condenado a 11 anos de prisão por agressões sexuais cometidas entre o fim dos anos 1980 e 2005. Aos 83 anos, Peter permanece sob custódia no Canadá e enfrenta acusações em outras províncias do país e também nos Estados Unidos.

Magnata cometia crimes contra mulheres em suite escondida no escritório

Para entender o choque do caso, é preciso lembrar quem era Peter Nygard. À frente da Nygard International, ele construiu uma das maiores marcas de roupas do Canadá e acumulou fortuna estimada em pelo menos US$700 milhões. No julgamento realizado em Toronto, promotores descreveram um padrão em seus crimes: o abuso acontecia com mulheres jovens, algumas com apenas 16 anos, atraídas com promessas de trabalho ou ajuda na carreira na indústria da moda.

Segundo os relatos apresentados ao júri, após visitas guiadas ao escritório da empresa, elas eram levadas à suíte particular do empresário, onde ocorriam as agressões. Quatro das cinco mulheres envolvidas no caso tiveram suas acusações confirmadas pelo júri após um julgamento de seis semanas.

Ao anunciar a sentença, o juiz Robert Goldstein chamou Peter Nygard de “predador sexual” e disse que ele usou riqueza e poder para cometer os crimes. A promotoria pediu 15 anos de prisão, argumentando que havia um padrão sistemático de conduta. A defesa tentou reduzir a pena, citando idade avançada e problemas de saúde. O tribunal fixou então a condenação em 11 anos, descontado o período já cumprido desde sua prisão, em 2020.

Os depoimentos das vítimas foram marcantes. Algumas relataram impactos psicológicos profundos, incluindo transtorno de estresse pós-traumático, depressão e dificuldades em manter relacionamentos ao longo da vida. 

Rompimento familiar: filho de Peter abandona sobrenome e apoia vítimas contra o pai

Peter Nygard  dentro do carro. Peter Nygard foi condenado a cumprir 11 anos de prisão por abuso sexual contra jovens mulheres. Créditos: CBCNews

O certo é certo, e o errado não deixa de ser errado por causa do sobrenome. Nenhum vínculo familiar anula a responsabilidade, e o filho de Peter Nygard assumiu esse lema. Kai Bickle-Nygard rompeu publicamente com o pai após testemunhar um episódio de má conduta em 2019. Ele passou a usar apenas o sobrenome da mãe e compareceu ao julgamento sentado na primeira fila, em apoio às vítimas.

Segundo relatos divulgados após a condenação, Kai cooperou com autoridades, forneceu informações a advogados envolvidos em processos civis e ajudou vítimas a buscar responsabilização judicial. Em declarações públicas, afirmou que não queria ver mais ninguém prejudicado e descreveu o pai como um predador poderoso

Mesmo com a condenação em Toronto, Peter Nygard ainda responde a acusações de agressão sexual em Montreal e Winnipeg. O empresário renunciou ao comando da empresa em 2020, pouco antes de ela entrar com pedido de falência. Com isso, o caso que começou sob a fachada de oportunidades na indústria da moda, acabou terminando como um dos maiores escândalos criminais ligados ao setor no Canadá. 


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