Vítimas brasileiras na guerra: Rússia confirma morte de grupo de combatentes do Brasil

Brasileiros recrutados para a Legião Internacional da Ucrânia estão entre os mortos na região de Kupiansk

Foto: Chris McGrath/Getty Images
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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A polícia da Ucrânia identificou um grupo de cidadãos brasileiros entre soldados mortos em uma frente de batalha na região de Kupiansk, no leste do país, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (11) pela agência de notícias russa RIA Novosti. A cidade está localizada no norte do Donbass, área atualmente sob controle das forças russas.

De acordo com a agência, os brasileiros faziam parte da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, unidade ligada às Forças Armadas ucranianas que recruta voluntários estrangeiros para atuar ao lado das tropas de Kiev no conflito entre Rússia e Ucrânia. As autoridades ucranianas não divulgaram oficialmente as identidades dos combatentes.

Família confirma morte de paraense em combate

Nesta semana, a família do paraense Wesley Adriano Silva, conhecido como “SGT Índio”, confirmou sua morte na frente de batalha de Kupiansk. O brasileiro havia viajado à Ucrânia em abril de 2024 para integrar a Legião Internacional e foi dado como desaparecido em combate antes da confirmação da morte.

Apoiadores de Wesley afirmam que ele foi atingido por fogo de artilharia durante confronto na região. Os parentes, no entanto, informaram que ainda não receberam detalhes oficiais sobre as circunstâncias do óbito.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a Embaixada do Brasil em Kiev foi notificada pelas autoridades ucranianas sobre a situação e que mantém contato com a família, prestando assistência consular.

Itamaraty acompanha casos de brasileiros na guerra

O Itamaraty informou que, até a noite de terça-feira (10), há registro de ao menos 22 brasileiros mortos e 45 desaparecidos desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os números são atualizados a partir de informações fornecidas pelas autoridades locais.

O ministério reforça que desaconselha a entrada e permanência de brasileiros na Ucrânia enquanto durar o conflito e o regime de lei marcial. Em nota, o Itamaraty também destacou que as embaixadas do Brasil em Kiev e Moscou seguem à disposição para prestar assistência consular.

Recrutamento de voluntários estrangeiros

A Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia recruta estrangeiros por meio de páginas oficiais das Forças Armadas. Nos últimos meses, a Ucrânia passou a traduzir seus materiais de alistamento para o português e a mobilizar recrutadores brasileiros em plataformas como WhatsApp, Telegram e Signal, com o objetivo de facilitar o contato com possíveis voluntários.

De acordo com o Itamaraty, muitos brasileiros são atraídos por promessas de remuneração, experiência militar ou reconhecimento, sem plena consciência dos riscos envolvidos. A área consular tem reforçado alertas públicos sobre o perigo dessas viagens e o alto número de mortes registradas entre combatentes estrangeiros.

Foto de capa: Chris McGrath/Getty Images


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