Há mais de um ano, é possível compartilhar um AirTag com algumas companhias aéreas para evitar a perda de nossas malas. A Apple afirma que essa é uma das melhores funcionalidades do localizador, incluindo o novíssimo AirTag 2. E sim, funciona, como mostram os estudos, mas os métodos de algumas companhias aéreas ainda deixam muito a desejar na prática.
Esta semana ficamos a saber do caso de Carlos, Emilio e Marcos, três viajantes que vivenciaram em primeira mão a experiência de perder malas rastreadas por AirTags e com o conhecimento da companhia Iberia, da Espanha. Na Applesfera, conseguimos falar com eles e, sem dúvida, ainda há muito a fazer.
"Compartilhado desde o minuto 0"
Qualquer pessoa pode colocar um AirTag na sua mala e rastreá-la, mas nem todas as companhias suportam oficialmente a possibilidade de compartilhar o rastreamento diretamente com o cliente em caso de perda. A Iberia é uma das que o faz, em teoria...
Como confirmaram, ao registarem a reclamação após a perda de quatro malas, anexaram o link dos AirTags no formulário para que a companhia tivesse comprovativo da localização em todos os momentos. Após cinco dias de queixa, a reclamação pública de Carlos viralizou.
Na publicação, o grupo comenta que havia perdido quatro malas e que, após cinco dias retidas no terminal do aeroporto de Barcelona, percebeu que elas estavam a caminho de Alicante. A informação era sabida graças à localização marcada pelo AirTag, algo que a Iberia também tinha, mas "não fizeram nada", como lamentou Emilio em conversa com a Applesfera.
A surpresa veio horas depois, quando uma das malas, a de Marcos, não havia ficado em Alicante, mas chegado a Murcia. Ele deve ter chegado lá de ônibus, já que foi onde sua localização foi inicialmente registrada. Horas depois, a suspeita de furto foi confirmada quando a mala foi localizada em uma casa no bairro de La Fama, em Murcia, o que levou a uma denúncia à Polícia Nacional.
A mala começou a circular por aquela região e, quando já era considerada perdida, aconteceu o que Carlos descreveu como uma reviravolta: a polícia recuperou a mala em Murcia.
"Parecia um filme"
Com a mala de viagem recuperada em Murcia pela Polícia Nacional, ainda faltavam três malas para serem recuperadas. Estas ainda estavam no terminal do aeroporto de Barcelona de onde o grupo partiu, todas com um AirTag.
Carlos chegou a oferecer uma recompensa de 100 euros a um funcionário da Iberia em Barcelona que se ofereceu para ajudar na recuperação da bagagem. Era um operador do aeroporto que acabou por ir procurá-las, localizou-as e recuperou-as. Embora pareça que ele recusou a recompensa, Carlos não hesitou em enviá-la mesmo assim.
Assim terminou o que os protagonistas descrevem como uma experiência "cinematográfica".
"Não fizeram nada"
Em conversas com os afetados, eles não só confirmam que a Iberia tinha a localização das malas em sua posse o tempo todo, como também conversaram com eles depois dos acontecimentos, indicando sempre onde elas estavam. E apesar disso, lamentam, "não fizeram nada".
O fato de o caso ter viralizado, acreditam eles, foi fundamental para que tivesse um final feliz. Ressaltam também que "foi crucial" o roubo de uma das malas, pois isso permitiu incriminar a Polícia Nacional e encontrar o ladrão, de quem, aliás, nada se sabe, mas que será investigado pelas autoridades.
O fato de toda a questão ter sido resolvida graças a terceiros que nada tinham a ver com a Iberia faz com que critiquem a companhia pela sua inação. Alegam ter a impressão de que os responsáveis pela localização da bagagem não têm acesso ao link que lhes foi enviado com a localização do AirTag.
A defesa da Iberia
Em resposta, a Iberia alega que a responsabilidade neste caso recai sobre outra empresa, a Icelandair, que foi a utilizada pelos viajantes para chegar a Barcelona, onde fariam escala em Madrid.
Segundo a companhia, as malas foram extraviadas porque a Groundforce (empresa terceirizada contratada pela Icelandair) as deixou esquecidas na esteira em vez de carregá-las no voo da Iberia. E como essa seção não é operada pela companhia aérea espanhola, eles alegam que a responsabilidade é da outra.
Embora a Icelandair possua a localização do AirTag, não tem a responsabilidade de localizá-lo.
O que é certo é que, com ou sem a ajuda da companhia aérea, e não sem percalços como demonstra este caso, levar um AirTag na mala é uma boa ideia. Você não terá sempre a localização permanente, já que não se trata de um localizador GPS propriamente dito, mas em ambientes como aeroportos, onde frequentemente há outros dispositivos Apple que funcionam com a tag, eles podem ser muito úteis.
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