O nome do bilionário Jeffrey Epstein voltou a estampar o noticiário internacional. Conhecido por circular entre políticos, empresários e figuras influentes, ele escondia, por trás da fachada de filantropia e conexões de alto nível, um esquema asqueroso de abuso sexual e tráfico de menores. Segundo as investigações, entre o início dos anos 2000 e 2005, Jeffrey explorou sexualmente mais de 250 meninas, muitas delas recrutadas para atrair novas vítimas, em propriedades espalhadas pelos Estados Unidos e em Little Saint James, uma ilha privada do milionário no Caribe.
Preso em 2019 sob acusações federais de tráfico sexual, Jeffrey foi encontrado morto dentro da prisão poucas semanas depois, um caso oficialmente tratado como suicídio, mas que até hoje é questionado. Agora, quase sete anos após sua morte, a divulgação de mais de 3 milhões de páginas de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, trouxe de volta o debate sobre quem frequentava seu círculo mais próximo. Entre os nomes que se destacam está o do empresário Elon Musk, CEO da Tesla, da SpaceX e fundador da xAI. Nos documentos, foram encontrados emails revelando que Musk não apenas manteve contato com Jeffrey após sua condenação em 2008, como também tentou, mais de uma vez, visitar a famosa ilha do empresário, um plano que acabou não se concretizando por “razões logísticas”.
O caso Jeffrey Epstein: rede de influência do bilionário é revelada por milhões de documentos oficiais
Nome de Donald Trump apareceu mais de mil vezes no documento divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA. Créditos: GettyImages
No dia 30 de janeiro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos milhões de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. O conjunto, um dos maiores já divulgados sobre o bilionário, reúne emails, agendas, convites e registros de tentativas de encontros com figuras influentes, produzidos muito depois de ele já ter se declarado culpado por crimes envolvendo menores.
De acordo com as investigações, Jeffrey pagava centenas de dólares em dinheiro para que meninas fossem levadas a suas propriedades, onde eram abusadas sexualmente. O esquema incluía a participação de outras pessoas e funcionava como uma cadeia de recrutamento. Os abusos teriam ocorrido em imóveis em Nova York, na Flórida, no Novo México e, principalmente, em sua ilha particular no Caribe, que se tornou símbolo do caso.
Mesmo após sua condenação em 2008, Jeffrey continuou frequentando círculos de poder. A nova leva de documentos mostra que empresários, políticos e executivos mantiveram contato com ele, seja por encontros sociais, eventos beneficentes ou visitas. Embora a simples menção em e-mails não exponha envolvimento criminal, os registros ajudam a mapear o alcance de sua rede. Entre os nomes que aparecem nessas comunicações está o de Elon Musk, cuja relação com Jeffrey passou a ser questionada após a divulgação de trocas de e-mails que contradizem declarações anteriores do empresário.
O que dizem os e-mails e por que a versão de Elon Musk sobre Jeffrey Epstein é questionada?
A ilha Little Saint James foi propriedade de Jeffrey Epstein de 1998 até 2019. Créditos: Imóveis sob medida
Entre os documentos divulgados, as trocas de mensagens entre Elon Musk e Jeffrey Epstein chamam atenção pelo tom amistoso e pelo conteúdo explícito. Em novembro de 2012, Musk perguntou diretamente a Epstein em qual dia ou noite aconteciam “as festas mais animadas” na ilha. Em outra conversa, em dezembro de 2013, afirmou que estaria na região do Caribe durante as festas de fim de ano e perguntou qual seria o melhor momento para visitar.
Os e-mails indicam que uma visita chegou a ser marcada para o início de janeiro de 2013, com detalhes sobre transporte, datas e agenda. Em determinado momento, Jeffrey recuou, alegando que precisaria permanecer em Nova York, encerrando o plano. Em outro trecho, o financista menciona que a “proporção” de pessoas na ilha poderia deixar Talulah Riley, então esposa de Musk, desconfortável, comentário ao qual Musk responde dizendo que isso não seria um problema.
Nenhuma evidência confirma que Musk tenha, de fato, ido à ilha. Ainda assim, os registros contradizem declarações públicas feitas pelo empresário anos depois. Em 2019, ele afirmou que Jeffrey “tentou repetidamente” convencê-lo a visitar a ilha e que ele havia recusado todas as tentativas. Os e-mails, contudo, indicam o inverso: Musk demonstrou interesse e tentou ir, mas acabou “barrado” não por princípios, mas porque Epstein desistiu do encontro por "questões logísticas", um detalhe que vai contra a versão pública dos fatos.
Os novos documentos também expõem uma incoerência no discurso público de Elon Musk. O empresário tem usado o nome de Epstein para atacar adversários públicos, como Bill Gates e o presidente Donald Trump, insinuando ligações comprometedoras. Ao mesmo tempo, os documentos revelam que ele próprio manteve uma relação cordial com o Jeffrey após sua condenação, incluindo tentativas de encontros e possíveis reuniões ligadas à SpaceX.
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