O Ceará está na reta final de uma das maiores obras hídricas do país: o Trecho 1 do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), com 145,3 quilômetros de extensão. A estrutura, que começa na Barragem de Jati e segue até Nova Olinda, foi projetada para conduzir por gravidade as águas transpostas do Rio São Francisco até o interior do estado. O objetivo é reforçar o abastecimento em regiões afetadas pela seca, como o Cariri e o Alto Jaguaribe. Com previsão de conclusão avançando para 2026, o sistema deve beneficiar diretamente mais de 500 mil pessoas e alcançar cerca de 5 milhões.
Rio artificial possui um sistema de canal de transposição de águas totalmente natural, que não depende de custos de energia
Obras estão previstas para acabar ainda em 2026. Créditos: Governo do Ceará
O Cinturão das Águas do Ceará é uma obra estratégica que conecta o estado ao Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). A captação ocorre na Barragem de Jati, no Eixo Norte da transposição, e a água percorre 145,3 km até a travessia do Rio Cariús, em Nova Olinda.
Apesar de ser chamado de “rio artificial”, o cinturão é na verdade um sistema de adução composto por canais a céu aberto, sifões e túneis. O diferencial está no desenho totalmente do projeto, pois a topografia foi aproveitada para que a água escoe naturalmente, reduzindo a necessidade de bombeamento e, consequentemente, o consumo de energia.
Em relação a engenharia por trás dessa estrutura, o trecho 1 está dividido em cinco lotes. Parte significativa da estrutura, especialmente os Lotes 1, 2 e 5, já está concluída em suas seções hidráulicas principais, somando quase 80 km entre canais revestidos, sifões e túneis. Os Lotes 3 e 4 seguem em execução.
Com vazão máxima prevista de 30 m³ por segundo, o sistema foi dimensionado para alimentar reservatórios estratégicos do estado, como o Açude Orós (segundo maior do Ceará), assim como o Açude Castanhão, o maior do estado.
Água para quem mais precisa: obra vai impactar 24 municípios e garantir abastecimento para mais de 500 mil moradores
Uma das partes mais legais da construção do Cinturão das Águas do Ceará Mais é que ele pode beneficiar mais de 5 milhões de cearenses. Ou seja, é uma obra com alto impacto social, pensado para redistribuir vazões entre diferentes bacias hidrográficas do Ceará. Mas como ele funciona na prática? A água que chega pelo sistema não permanece no canal, mas reforça reservatórios, abastece sistemas adutores e amplia a segurança hídrica de municípios com recursos hídricos vulneráveis.
Na Região do Cariri, que apresenta a segunda maior densidade populacional e importância econômica no estado, o impacto é estratégico. O aquífero Missão Velha, principal fonte subterrânea local, já apresenta sinais de exploração intensa. Ao aproximar a água do São Francisco dessa área, o projeto amplia a oferta para múltiplos usos e reduz a pressão sobre os mananciais subterrâneos. No Alto Jaguaribe, o sistema também deve fortalecer o abastecimento por meio da integração com programas como a Malha d’Água, que prevê a distribuição de água tratada a cidades com alta vulnerabilidade hídrica.
Com isso, fica claro que a prioridade do projeto é garantir um direito humano básico: o de acesso à água potável e limpa, especialmente diante dos ciclos de seca que tendem a se repetir no semiárido nordestino. Se o cronograma for mantido, a água captada do Rio São Francisco começará a percorrer esse corredor hidráulico já em 2026.
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