Em 13 de fevereiro de 2017, o meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, Kim Jong-nam, foi assassinado no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, na Malásia, após ter uma substância tóxica aplicada em seu rosto. O caso ganhou repercussão mundial quando as duas mulheres presas pelo crime afirmaram ter sido enganadas — elas acreditavam que participavam de uma pegadinha para um programa de TV, sem saber que manipulavam um agente químico letal.
Suspeitas acreditavam estar participando da gravação de uma pegadinha
Uma das mulheres presas pelo assassinato de Kim Jong-nam, irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, afirmou ter sido enganada e acreditava estar participando da gravação de uma pegadinha para televisão. A informação foi divulgada pelo chefe da polícia da Indonésia, Tito Karnavian.
Segundo o policial, Siti Aisyah, de 25 anos, disse ter recebido dinheiro para realizar “brincadeiras” que seriam exibidas em um programa cômico. Ela, e outra mulher que também foi presa, relatou que a atividade consistia em convencer homens a fechar os olhos e, em seguida, jogar água em seus rostos.
De acordo com o depoimento, o mesmo procedimento foi repetido diversas vezes antes do último “alvo”, Kim Jong-nam. Desta vez, no entanto, o líquido continha substâncias tóxicas. “Ela não tinha consciência de que se tratava de uma tentativa de assassinato”, afirmou Karnavian.
Irmão de Kim Jong-um foi morto em 2017, na Malásia
Kim Jong-nam foi atacado em 13 de fevereiro de 2017, no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, na Malásia. Ele esperava um voo para Macau quando as duas mulheres se aproximaram e aplicaram o conteúdo no rosto dele.
Logo após o contato, Kim apresentou queimaduras nos olhos e perdeu a coordenação motora. Mesmo com atendimento médico emergencial, o irmão do ditador norte-coreano Kim Jong-um morreu a caminho do hospital.
O exame pericial identificou a substância como VX, um agente nervoso altamente letal, classificado pela ONU como arma de destruição em massa. O ataque foi registrado pelas câmeras de segurança do aeroporto.
Quem era Kim Jong-nam
Kim Jong-nam tinha 45 anos e era o filho mais velho do ex-líder norte-coreano Kim Jong-il, fruto do casamento com a atriz Song Hye-rim. Durante anos, foi cotado como possível sucessor do pai, mas perdeu prestígio após ser detido em 2001, no Japão, tentando entrar no país com um passaporte falso.
A partir daí, passou a viver fora da Coreia do Norte. Apesar de manter perfil discreto, fazia críticas ao regime do meio-irmão e ao sistema de sucessão do país.
Kim Jong-nam era meio irmão do atual líder norte-coreano. Foto: Shizuo Kambayashi/AP
Julgamento e libertação das suspeitas
As duas mulheres presas pelo assassinato — Siti Aisyah, da Indonésia, e Doan Thi Huong, do Vietnã — foram julgadas na Malásia. Em 2019, as acusações de assassinato foram retiradas. Aisyah foi libertada em março, e Huong teve a pena reduzida para três anos e quatro meses, sendo solta dois meses depois.
Autoridades da Malásia e agências internacionais afirmam que o ataque foi planejado por agentes norte-coreanos, que teriam usado as duas mulheres como parte de uma operação de eliminação de Kim Jong-nam.
Foto de capa: Fazry Ismail/EFE
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