Convivo com ansiedade há mais de 15 anos. Não por escolha, mas porque um episódio de ergofobia me mergulhou em uma espiral da qual é difícil escapar. Isso não significa que me conformei com ela; pelo contrário, aprendi ferramentas para lidar com a ansiedade e, principalmente, desenvolvi o autoconhecimento. O que eu não sabia é que existem três características comuns a pessoas com ansiedade, como confirma a psicóloga Ángela Fernández.
Embora isso não se aplique a 100% dos casos, a especialista afirma que é comum pessoas com ansiedade compartilharem certos traços de personalidade. E vamos falar sobre eles porque, como Fernández bem observa, "conhecer a nós mesmos é fundamental para conseguirmos regular nossas emoções sem nos frustrarmos ou nos pressionarmos demais".
@angelaprs.psicologia Te explico 3 rasgos de personalidad comunes que comparten las personas con ansiedad. Conocernos es clave para poder regular nuestras emociones sin frustrarnos ni forzarnos demasiado ❤️🩹. ¿Te suena algún rasgo? 🙆🏻♀️ #fy #foryou #psicologa #saludmental #desarrollopersonal #bienestar #bienestar #emociones #psicologia #ansiedad #personalidad
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Eles têm um alto nível de responsabilidade (e buscam a perfeição)
“Eles tendem a ser muito exigentes consigo mesmos, rigorosos e disciplinados… com um alto nível de comprometimento com suas tarefas e padrões de desempenho muito elevados, porque tendem a buscar a perfeição”, explica Fernández.
Sim, eu sou. Responsabilidade excessiva leva a duas coisas: um baixo nível de satisfação e um alto nível de frustração. Esse perfeccionismo, refletido no que Fernández diz, não é uma característica positiva, porque pode se tornar nosso maior inimigo.
Além disso, segundo a especialista, pode produzir “alta rigidez mental” porque “aprendemos desde cedo que o reconhecimento vem quando fazemos as coisas bem, e isso se traduz em uma necessidade de controle”.
A flexibilidade cognitiva, por outro lado, nos ajuda a desenvolver resiliência e promove nosso crescimento pessoal, mas se formos rígidos, não conseguiremos perceber que aprendemos com a imperfeição. A especialista nos garante que “você terá que aprender a ser flexível” e, para isso, nada melhor do que se esforçar para ser bom o suficiente, mas sem exigir perfeição em tudo o que faz.
Sua felicidade agradecerá, pois pessoas que evitam o perfeccionismo no trabalho são mais felizes e produtivas. Focando na ansiedade, Fernández afirma que “quando damos espaço para a imperfeição, o corpo também relaxa”.
Elas acabam sendo gentis demais
Ser gentil não é ruim; não quero que Fernández interprete mal o que está dizendo, mas a gentileza excessiva, como o "people pleasing" (a necessidade de agradar a todos), deixa de ser benéfica e se torna um problema. “Ser empático é positivo, mas quando isso acontece à custa do próprio equilíbrio, o preço emocional é alto”, alerta a especialista. Ela afirma que esse tipo de pessoa “tem dificuldade em estabelecer limites e provavelmente tolera demais”. Sim, eu sou assim.
Fernández quer que entendamos algo: “Agir e estabelecer limites não te torna egoísta; te torna consistente”. Estabelecer limites nos ajuda a cuidar de nós mesmos e a focar em nossas necessidades, e não nas dos outros antes das nossas. Isso não significa deixar de ser gentil, mas sim evitar ser gentil às custas do nosso próprio bem-estar, e para isso, precisamos entender nossos limites.
Eles têm uma pontuação alta em neuroticismo
"Pontuações altas nesse traço estão associadas a pessoas emocionalmente instáveis, impulsivas e nervosas", explica Fernández. O neuroticismo é um dos cinco grandes traços de personalidade e descreve o quão reativa e negativa uma pessoa é emocionalmente. Eles são conhecidos, como confirma a especialista, como "pessoas altamente reativas porque estão em constante estado de alerta".
É, por assim dizer, uma maior sensibilidade, especialmente às emoções negativas. "Não é fraqueza; é um sistema nervoso mais sensível", garante ela. O que Fernández recomenda, nesse caso, é "buscar atividades que promovam serenidade e tranquilidade no dia a dia, porque com essa prática contínua, alcançarão maior estabilidade emocional".
Texto original de Anabel Palomares
Imagem de capa | TikTok @angelaprs.psicologia, Anna Keibalo em Unsplash
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