Não é um teste: a NASA recalculou a rota do asteroide 2024 YR4 e a chance de impacto obrigou a ligar o alerta de defesa

Agência espacial americana descartou risco de colisão com a Terra, mas calcula chance de impacto com a Lua em 2032

Foto: ESA/Science Office
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora

A NASA atualizou os cálculos de trajetória do asteroide 2024 YR4, um corpo rochoso monitorado desde 2024 que chegou a preocupar cientistas por apresentar risco de colisão com a Terra.

As novas projeções eliminaram a possibilidade de impacto terrestre, mas apontaram uma probabilidade de 4,3% de o objeto atingir a Lua em 22 de dezembro de 2032 — suficiente para que agências espaciais ativassem protocolos de defesa planetária e vigilância intensiva.

Risco transferido: da Terra para a Lua

Com diâmetro estimado entre 53 e 67 metros, tamanho comparável a um prédio de dez andares, o 2024 YR4 pertence ao grupo Apollo, conjunto de asteroides cuja órbita cruza a da Terra. 

As primeiras observações do asteroide foram feitas em 2024. Em 2025, cientistas estimavam uma chance de 3,1% de colisão com a Terra, o que mobilizou centros de observação em todo o mundo. 

Agora, com novos dados coletados por telescópios terrestres e pelo Telescópio Espacial James Webb, a trajetória foi recalculada e o risco terrestre eliminado.

A mudança de rota espacial indicou um possível impacto lunar estimado em 4,3% pela NASA e 4% pela ESA (Agência Espacial Europeia)

As projeções apontam que o asteroide deve atingir a superfície da Lua por volta das 12h19 (horário de Brasília), com um corredor de impacto previsto próximo à cratera Tycho, no hemisfério sul lunar.]

O que aconteceria em caso de impacto

Se confirmada a colisão, o asteroide 2024 YR4 poderia abrir uma cratera de aproximadamente 1 quilômetro de largura e 150 metros de profundidade. A energia liberada seria comparável a uma grande explosão e produziria um clarão visível da Terra por alguns minutos, com brilho semelhante ao do planeta Vênus no céu noturno.

Estudos preliminares que ainda passam por revisão científica, indicam que o impacto geraria ondas sísmicas detectáveis por instrumentos já instalados na superfície lunar.

Regiões como o leste da Ásia, Oceania, Havaí e costa oeste da América do Norte teriam melhores condições de visibilidade no momento do evento.

Monitoramento e defesa planetária

A atualização dos dados acionou protocolos de defesa planetária, que preveem acompanhamento por telescópios da NASA e da ESA, como o Pan-STARRS e o Catalina Sky Survey. Os sistemas de monitoramento processam informações em tempo real para detectar qualquer alteração na rota do asteroide.

Apesar da baixa probabilidade de impacto, missões de referência, como a DART, já provaram ser possível alterar a trajetória de asteroides — tecnologia que pode ser aplicada futuramente em situações de maior risco.

O valor científico do asteroide 2024 YR4

Além da preocupação com segurança, o asteroide oferece grandes oportunidades de pesquisa. Caso o impacto lunar aconteça, telescópios e sondas poderão observar a ejeção de material e a formação da cratera em tempo real, revelando detalhes sobre a composição interna do asteroide.

Preparação para 2032

A NASA e a ESA planejam intensificar as observações do 2024 YR4 nos próximos anos.
Radares e telescópios de nova geração, como, devem reduzir ainda mais as incertezas da órbita até 2032. Missões de reconhecimento também estão sendo consideradas para caracterizar o asteroide de perto, caso o risco lunar aumente.

Foto de capa: ESA/Science Office

Inicio