O governo russo iniciou uma ofensiva total contra aplicativos de mensagens estrangeiros, bloqueando completamente o WhatsApp e reduzindo drasticamente a velocidade do Telegram em todo o país. O objetivo do Kremlin é forçar a população a migrar para o Max, um aplicativo estatal inspirado no WeChat chinês. No entanto, a estratégia gerou uma reação inesperada e feroz de seus próprios aliados: soldados na linha de frente e blogueiros militares.
A lentidão no Telegram, que possui cerca de 60 milhões de usuários na Rússia, está sendo descrita como um desastre logístico para as tropas em combate na Ucrânia. Sem acesso ao Starlink e com problemas crônicos de rádio, os militares utilizam o aplicativo de Pavel Durov para coordenar ataques, organizar logística e até arrecadar fundos para munição. Soldados relatam que a plataforma é a única "corrente" que liga as unidades às agências estatais, alertando que o corte nas comunicações pode custar vidas no campo de batalha.
Today the Russian government attempted to fully block WhatsApp in an effort to drive people to a state-owned surveillance app. Trying to isolate over 100 million users from private and secure communication is a backwards step and can only lead to less safety for people in Russia.…
— WhatsApp (@WhatsApp) February 12, 2026
O isolamento digital e a resistência interna
A Roskomnadzor, órgão regulador das comunicações na Rússia, justifica as restrições alegando violações de leis locais sobre armazenamento de dados. Enquanto o WhatsApp acusou Moscou de tentar isolar 100 milhões de usuários para monitorá-los através do aplicativo estatal Max, o fundador do Telegram comparou as ações russas às políticas restritivas do Irã.
O governo exige que o Max seja pré-instalado em todos os novos smartphones, mas o temor de vigilância em massa ainda limita a aceitação popular em comparação ao WhatsApp.
Apesar da pressão russa para que a Meta colabore com as autoridades, a empresa sinaliza que não cederá às exigências legais de Moscou, consolidando o plano russo de criar uma internet soberana e isolada do resto do mundo.
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