Rússia baniu o WhatsApp para se proteger, mas acabou criando seu próprio inimigo: o 'colapso' do Telegram no front

Soldados estão reclamando na internet, ao lado de influenciadores e blogueiros pró-guerra

WhatsApp | Fonte: Unsplash/Eyestetix Studio
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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O governo russo iniciou uma ofensiva total contra aplicativos de mensagens estrangeiros, bloqueando completamente o WhatsApp e reduzindo drasticamente a velocidade do Telegram em todo o país. O objetivo do Kremlin é forçar a população a migrar para o Max, um aplicativo estatal inspirado no WeChat chinês. No entanto, a estratégia gerou uma reação inesperada e feroz de seus próprios aliados: soldados na linha de frente e blogueiros militares.

A lentidão no Telegram, que possui cerca de 60 milhões de usuários na Rússia, está sendo descrita como um desastre logístico para as tropas em combate na Ucrânia. Sem acesso ao Starlink e com problemas crônicos de rádio, os militares utilizam o aplicativo de Pavel Durov para coordenar ataques, organizar logística e até arrecadar fundos para munição. Soldados relatam que a plataforma é a única "corrente" que liga as unidades às agências estatais, alertando que o corte nas comunicações pode custar vidas no campo de batalha.

O isolamento digital e a resistência interna

A Roskomnadzor, órgão regulador das comunicações na Rússia, justifica as restrições alegando violações de leis locais sobre armazenamento de dados. Enquanto o WhatsApp acusou Moscou de tentar isolar 100 milhões de usuários para monitorá-los através do aplicativo estatal Max, o fundador do Telegram comparou as ações russas às políticas restritivas do Irã.

O governo exige que o Max seja pré-instalado em todos os novos smartphones, mas o temor de vigilância em massa ainda limita a aceitação popular em comparação ao WhatsApp. 

Apesar da pressão russa para que a Meta colabore com as autoridades, a empresa sinaliza que não cederá às exigências legais de Moscou, consolidando o plano russo de criar uma internet soberana e isolada do resto do mundo.

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