Brasileiro infringe a lei ao usar uma antena Starlink no meio de 120 passageiros durante voo

  • Em meio a um voo lotado, um passageiro discretamente retira uma antena Starlink Mini, cola-a na janela e a conecta a uma bateria externa;

  • Enquanto outros 120 viajantes utilizam o Wi-Fi da aeronave, esse indivíduo ousado desafia as normas da aviação para acessar a internet via satélite

Foto: Wikimedia/Fallon Micheal
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Fabrício Mainenti

Redator

Uma bateria que desafia os céus proibidos

Estamos no alto, na cabine apertada de um Embraer E195-E2 da companhia aérea brasileira Azul, e este passageiro não tem medo de nada. Em vez de se contentar com o Wi-Fi de bordo disponível na aeronave, ele decide configurar sua própria conexão Starlink. A antena minúscula, colada na janela para captar o sinal de satélites da SpaceX em órbita baixa da Terra, é alimentada por um enorme power bank de 60.000 mAh, ou aproximadamente 222 Wh.

Ele filma o processo ao vivo, dando zoom no sinal que se estabelece apesar da velocidade e altitude de cruzeiro, como se declarasse vitória sobre as limitações das viagens aéreas. O vídeo vai parar no Instagram, onde viraliza em poucas horas, compartilhado por milhares de internautas impressionados.

Por que arriscar tudo?

O Wi-Fi da Azul, embora funcional, muitas vezes tem dificuldades para acompanhar as conexões terrestres, e este entusiasta pode simplesmente ter sucumbido ao fascínio da banda larga ilimitada.

As normas da aviação são rigorosas no que diz respeito às baterias de íon-lítio, e por um bom motivo. A Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) impõe um limite de 100 Wh para todos os power banks transportados na cabine. Ultrapassar esse limite resulta em confisco imediato no embarque ou até mesmo em uma multa considerável. Este power bank em particular ultrapassa em muito o limite, quase dobrando a capacidade permitida, e é inclusive comercializado especificamente para alimentar antenas Starlink em modo móvel, ostentando uma autonomia excepcional.

Por que essa restrição inflexível?

As células de íon-lítio aquecem, entram em curto-circuito ou superaquecem sob estresse, e em altitudes elevadas, onde o ar é rarefeito e a cabine é confinada, um pequeno incêndio pode se transformar em um pesadelo em minutos. Lembre-se do incidente recente em um voo da LATAM: uma bateria com especificações legais, embora desligada, quase incendiou a cabine. Agora imagine uma bateria de 222 Wh, colada a uma janela vibratória.

A questão vai além: usar uma bateria desse tipo em voo não é apenas arriscado, como também desaconselhado em muitas jurisdições. O Brasil ainda não adotou uma proibição formal em voos, mas países como a Suíça e as companhias aéreas do Grupo Lufthansa já o fizeram após uma série de pequenos incêndios. A Air France, mais perto de nós, permite o transporte na cabine, mas proíbe qualquer carregamento ou uso após o fechamento das portas.

Essas medidas não surgiram do nada; são uma resposta a um número crescente de alertas, desde a FAA americana até a EASA europeia, que examinam minuciosamente cada relato de anomalia. Este passageiro não apenas desafiou a ANAC (Autoridade Nacional de Aviação Civil Francesa), como também colocou em risco toda a aeronave em busca de acesso ilimitado à internet.

Starlink Mini: a tentação da invasão aérea

O Starlink Mini personifica o sonho da SpaceX: um dispositivo compacto, não maior que um tablet, que promete 100 Mbps em qualquer lugar, mesmo em movimento. Basta fixá-lo em uma janela e pronto, uma conexão estável via satélite. Mas em um avião comercial? Aí a história é outra. Essas antenas pessoais não passaram nos testes cruciais de compatibilidade eletromagnética com sistemas de aviônica, radar, GPS e comunicações de rádio.

Um sinal disperso poderia interferir em um indicador vital ou perturbar os pilotos durante manobras. As companhias aéreas preferem versões certificadas para aviação, como as implantadas pela United Airlines ou testadas pela Hawaiian Airlines, com antenas montadas na fuselagem e assinaturas especiais de alto custo.

Este episódio revela uma crescente divisão entre a rápida inovação da SpaceX e as rigorosas normas de segurança da aviação. A Starlink já está conquistando os céus por meio de grandes parcerias: a Azul transportou centenas de antenas para o Rio Grande do Sul após as enchentes, e grandes companhias aéreas como Delta e Qatar Airways planejam uma implementação global até 2027.

No entanto, hackers solitários persistem, atraídos pela liberdade absoluta. Existe o risco de uma escalada? Com ​​drones da Starlink no horizonte e antenas ainda mais compactas, as verificações de segurança no compartimento de carga ou na cabine podem aumentar.

Imagem de capa | Wikimedia e Fallon Micheal

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