O júri responsável por julgar um processo contra a Meta e o YouTube em Los Angeles informou à juíza Carolyn B. Kuhl que está tendo dificuldades para chegar a um consenso sobre um dos réus. O caso discute se o design das principais redes sociais pode causar danos aos jovens usuários.
Os jurados não revelaram se o impasse envolve a Meta ou o YouTube. Diante da situação, a juíza orientou que o grupo continue deliberando, mas alertou que, se não houver acordo, essa parte do julgamento poderá precisar ser analisada novamente por um novo júri.
Em uma mensagem enviada ao tribunal, os jurados perguntaram como deveriam proceder diante da dificuldade de alcançar uma decisão sobre um dos acusados. A dúvida indica que o grupo pode estar dividido sobre a responsabilidade de uma das plataformas no caso.
Há alguns dias, o júri já havia enviado outra pergunta à corte, desta vez sobre a forma de calcular possíveis indenizações. Esse questionamento sugere que pelo menos parte dos jurados já teria considerado a possibilidade de responsabilizar uma ou ambas as empresas.
O que está em jogo no julgamento
O processo não se concentra apenas no conteúdo presente nas redes sociais, mas no próprio funcionamento das plataformas. Os advogados da acusação argumentam que elementos como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e algoritmos de recomendação podem ter sido projetados para aumentar o engajamento de jovens usuários, potencialmente incentivando comportamentos compulsivos.
Essa abordagem jurídica é considerada importante porque a juíza já decidiu anteriormente que a Seção 230, lei que normalmente protege plataformas digitais de responsabilidade sobre conteúdos publicados por usuários, não necessariamente se aplica a acusações relacionadas ao design do produto.
A ação foi movida por Kaley GM, uma jovem californiana de 20 anos que afirmou no tribunal que o uso do Instagram e do YouTube teria contribuído para problemas de depressão, baixa autoestima e pensamentos suicidas durante sua adolescência.
A defesa das empresas, por outro lado, argumenta que redes sociais não podem ser comparadas a produtos como tabaco ou drogas e que fatores externos, incluindo questões familiares, também podem ter influenciado as dificuldades relatadas.
O julgamento é acompanhado de perto pela indústria de tecnologia, pois a decisão pode influenciar milhares de processos semelhantes movidos por pais, escolas e autoridades que questionam o impacto das redes sociais sobre jovens usuários.
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