A nova economia familiar: o custo de tratar cães e gatos como filhos já consome 8% do orçamento dos brasileiros

Eles deixaram de ser apenas animais de estimação e passaram a ocupar um espaço cada vez maior dentro da rotina, da casa e do orçamento das famílias brasileiras

Cachorro e gato ao lado de tutora
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Ter um cachorro ou gato como animal de estimação traz uma série de benefícios para a família, desde companhia até apoio emocional e melhora na saúde mental. No entanto, assim como acontece com qualquer outro integrante da casa, eles também geram gastos que começam a pesar cada vez mais no orçamento doméstico. Segundo uma pesquisa da consultoria CVA Solutions, os brasileiros já destinam, em média, 8% da renda familiar mensal aos pets

O levantamento mostra que manter um cachorro custa aproximadamente R$690 por mês, enquanto os gatos geram um gasto médio de R$574 mensais. Para muita gente, esse investimento compensa diante do carinho e da companhia que os animais proporcionam. Mas, para outras famílias, os custos começam a pesar cada vez mais no bolso. 

O mercado pet virou uma das economias mais fortes do Brasil

Os números ajudam a explicar por que o setor pet se transformou em um dos mercados que mais crescem no país. O comportamento do consumidor mudou completamente nos últimos anos, principalmente após a pandemia, período em que milhões de brasileiros fortaleceram ainda mais o vínculo emocional com cães e gatos dentro de casa. Segundo dados da União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), a procura por adoção cresceu 400% apenas no primeiro trimestre de 2020. Já um levantamento do Radar Pet 2021 mostrou que cerca de 30% dos pets atuais foram adotados durante o período pandêmico, sendo muitos deles o primeiro animal de estimação da família.

Isso acabou impulsionando uma nova lógica de consumo. Os pets deixaram de ocupar apenas o quintal ou a área externa e passaram a dividir o sofá, quarto, rotina e, claro, as prioridades financeiras dos tutores. Como consequência, cresceu a procura por produtos premium, alimentação de melhor qualidade, brinquedos, medicamentos, banho e tosa, acompanhamento veterinário e até planos de saúde específicos para animais. Segundo a pesquisa, os maiores gastos mensais dos brasileiros com pets atualmente são:

  • Ração para cães: R$202 por mês
  • Ração para gatos: R$158 por mês
  • Banho e tosa para cães: R$174 mensais
  • Plano de saúde pet para cães: R$135
  • Plano de saúde pet para gatos: R$125

O estudo também mostra que o setor pet continua extremamente resistente mesmo em períodos de instabilidade econômica. Isso porque, para boa parte das famílias, reduzir gastos com os animais acaba sendo uma das últimas alternativas consideradas.

Planos de saúde pet crescem, mas preço ainda trava boa parte dos brasileiros

Cão e gato lado a lado Enquanto os gatos geram um custo médio de R$ 574 por mês, manter um cachorro no Brasil já pode ultrapassar os R$ 690 mensais, segundo levantamento da CVA Solutions.

Outro dado que chama atenção no levantamento é o crescimento dos planos de saúde veterinários. Atualmente, cerca de 25% dos brasileiros possuem algum tipo de assistência médica para os pets, um número maior do que o registrado em 2024. Ainda assim, a adesão continua relativamente baixa quando comparada ao tamanho do mercado. E o principal motivo é bastante óbvio: o custo. Segundo a pesquisa, 37% das pessoas afirmam que o valor das mensalidades ainda pesa demais no orçamento. Outros 29% dizem acreditar que o plano simplesmente não é necessário.

Mesmo assim, existe uma contradição curiosa nesse comportamento. Entre os tutores que ainda não possuem plano veterinário, 67% afirmam que contratariam o serviço caso a mensalidade custasse cerca de R$20. A pesquisa também mostra uma mudança curiosa nos hábitos de compra dos brasileiros. As grandes redes de petshop perderam espaço para lojas de bairro, principalmente por causa da praticidade, proximidade e da relação mais próxima de cuidado e atenção com os pets. Já no ambiente digital, as compras online para os pets ainda possuem baixa adesão no Brasil, com poucos consumidores preferindo adquirir produtos exclusivamente pela internet.

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