Gatos podem se comportar como líquidos — e a ciência prova isso por meio da física

Trabalho rendeu prêmio Ig Nobel

Gato fofo
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Você já parou para observar como um gato consegue se "derramar" dentro de um vaso de vidro ou se acomodar perfeitamente em uma caixa de papelão que parece pequena demais para ele? Para os donos de felinos, a cena é comum, mas para a física, ela é um prato cheio para estudos complexos. A ciência não apenas confirma que gatos podem se comportar como fluidos, como também usa conceitos de reologia e consciência corporal para explicar esse fenômeno.

Um dos estudos mais famosos (link do pdf) sobre o tema foi conduzido pelo físico Marc-Antoine Fardin, da Universidade Paris Diderot. Ele aplicou os princípios da reologia — o ramo da física que estuda como a matéria flui e se deforma — para analisar o estado físico dos gatos. 

De acordo com a definição clássica, um líquido é algo que assume a forma de seu recipiente enquanto mantém seu volume constante. Ao observar que os gatos se adaptam ao formato de jarras, pias e caixas, Fardin concluiu que, sob certas condições, eles podem sim ser classificados como líquidos.

O segredo está no tempo de relaxação

Para provar sua tese, que lhe rendeu o prêmio Ig Nobel em 2017, Fardin utilizou o chamado Número de Deborah. Na física, esse número é a razão entre o "tempo de relaxação" (o tempo que o gato leva para se adaptar ao formato do recipiente) e o "tempo de observação".

  • Se o tempo de observação for curto (um gato pulando ou correndo), ele se comporta como um sólido.
  • Se o tempo for longo (o gato entrando em uma tigela e dormindo), ele flui e assume a forma do objeto, agindo como um líquido.

Fardin notou que gatos mais velhos tendem a ter um tempo de relaxação menor, tornando-se "líquidos" mais facilmente do que gatinhos agitados. Ele chegou a brincar com a ideia de que, em ambientes extremamente confortáveis, o tempo de relaxação é tão baixo que os gatos poderiam atingir um "estado gasoso", expandindo-se para ocupar todo o espaço disponível.

Consciência corporal: líquidos apenas em uma dimensão?

Além da física mecânica, a etologia (estudo do comportamento animal) trouxe novos dados em 2024. Um estudo testou se os gatos têm consciência do próprio tamanho ao atravessar aberturas estreitas.

Os testes mostraram um comportamento curioso: quando a abertura era alta, mas muito estreita lateralmente, os gatos não hesitavam. Eles se espremiam sem reduzir a velocidade, confiando em sua anatomia extremamente flexível — agindo, de fato, como um fluido. 

No entanto, quando a abertura era larga, mas muito baixa, os gatos paravam e hesitavam. Isso sugere que, embora se comportem como líquidos para passar por frestas verticais, eles têm uma consciência corporal aguçada sobre sua própria altura, possivelmente para proteger sua coluna e órgãos superiores.

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