A Netflix ainda é uma das maiores potências do entretenimento digital no mundo. Segundo dados divulgados pela própria Netflix e trazidos pela Variety, a plataforma ultrapassou a marca de 325 milhões de assinantes pagos globalmente, com os Estados Unidos liderando como principal mercado. No Brasil, o cenário também sempre foi estratégico para a empresa: o país aparece entre as maiores bases de usuários da plataforma no mundo e está entre os mercados que mais geram receita para a companhia.
Mas o domínio absoluto da Netflix no streaming brasileiro parece estar começando a mudar. Um novo levantamento da JustWatch, plataforma que monitora o comportamento do público em serviços de streaming, mostra que o Disney+ ultrapassou oficialmente a Netflix no Brasil durante o primeiro trimestre de 2026.
Segundo o relatório, baseado em mais de 6 milhões de interações mensais de usuários brasileiros entre janeiro e março deste ano, o Amazon Prime Video segue liderando o mercado com 21% de participação. Logo atrás aparece o Disney+, que chegou a 19% e assumiu o posto de vice. Já a Netflix caiu para 18%, registrando a maior retração anual entre as grandes plataformas: menos 5 pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2025.
O levantamento ainda mostra crescimento de serviços como Apple TV+ e HBO Max, enquanto plataformas tradicionais no Brasil, como Globoplay, perderam espaço ao longo dos últimos meses.
Prime Video: o streaming mais barato virou também o mais forte
Prime Video domina mercado brasileiro e Netflix já não é mais vice líder
O topo do ranking continua nas mãos do Prime Video, e isso com certeza não é uma mera coincidência. Em um cenário em que o consumidor está cada vez mais seletivo com assinaturas mensais, preço e benefícios extras passaram a ter um peso enorme na decisão do público. Hoje, o Prime Video custa a partir de R$19,90 por mês e ainda funciona dentro do pacote Amazon Prime, que inclui frete grátis, streaming de música, jogos, livros digitais e outras vantagens. Isso significa que o usuário não assina apenas um streaming: ele entra em um espaço completo de benefícios.
Já o Disney+ parece ter encontrado uma combinação eficiente entre catálogo forte e preço relativamente competitivo. O serviço custa atualmente a partir de R$27,99 mensais e vem crescendo de forma consistente no Brasil. Em um ano, a plataforma ganhou 4 pontos percentuais de participação de mercado, o maior avanço entre os grandes streamings analisados pela JustWatch.
Outro fator importante é o peso das grandes franquias. Séries e filmes ligados à Marvel, Star Wars, Pixar e produções infantis continuam sendo um diferencial importante para famílias e usuários mais jovens. Além disso, a integração com transmissões esportivas da ESPN ajudou o Disney+ a ampliar sua presença no cotidiano dos assinantes brasileiros.
Apple TV+ cresce enquanto Globoplay perde espaço
Disney+ ultrapassa a Netflix no Brasil pela primeira vez enquanto Prime Video segue líder do streaming
Se a disputa entre Disney+ e Netflix chamou atenção, outro movimento importante aconteceu um pouco abaixo no ranking: o avanço do Apple TV+. A plataforma da Apple chegou a 9% de participação no Brasil e ultrapassou oficialmente o Globoplay, que caiu para 7%. O crescimento anual do Apple TV+ foi de 3 pontos percentuais, enquanto o serviço da Globo Play perdeu 4 pontos no mesmo período.
Parte desse crescimento pode estar ligada à estratégia da Apple de apostar menos em volume e mais em produções de alto impacto. Enquanto isso, o mercado brasileiro ficou mais competitivo. Hoje, o consumidor encontra opções relativamente acessíveis em praticamente todas as faixas de preço:
- Prime Vídeo: a partir de R$ 19,90/mês;
- Netflix: R$20,90 no plano com anúncios, R$44,90 no padrão e R$59,90 no premium
- HBO Max: entre R$ 29,90 e R$55,90;
- Disney+: a partir de R$27,99.
- Globoplay: planos a partir de R$22,90
- Apple TV+: R$21,90;
- Paramount+: R$27,90;
- MUBI: R$ 34,90.
Com tantas opções disponíveis, fidelidade deixou de ser garantia. O público agora troca de plataforma com muito mais facilidade, dependendo de preço, catálogo ou lançamentos específicos do mês.
O bloqueio de senhas pode ter acelerado a queda da Netflix
Embora a JustWatch não aponte oficialmente os motivos para a perda de participação da Netflix, alguns movimentos recentes da empresa ajudam a explicar sua queda no mercado. O principal deles provavelmente é o endurecimento contra o compartilhamento de senhas. A plataforma passou a restringir o uso de contas em residências diferentes, obrigando usuários a pagarem valores adicionais para incluir assinantes extras fora da casa principal. Como consequência, isso mudou completamente um hábito que se tornou comum ao longo da última década: dividir a assinatura entre familiares, amigos ou pessoas que moram em cidades diferentes.
A medida também criou situações desconfortáveis até dentro de famílias. Usuários em viagem, filhos morando fora ou parentes utilizando a mesma conta em outra residência passaram a enfrentar bloqueios frequentes e pedidos de validação de acesso. Ao mesmo tempo, a Netflix hoje possui um dos planos sem anúncios mais caros entre os grandes streamings do Brasil. O plano padrão custa R$44,90, enquanto o premium chega a R$59,90 mensais, valores muito acima de concorrentes diretos como Prime Video, Disney+ e Apple TV+.
O resultado parece começar a aparecer nos números. Pela primeira vez em muitos anos, a Netflix não apenas perdeu espaço no Brasil, mas foi ultrapassada por uma rival direta. Segundo a JustWatch, os dados refletem o comportamento de usuários brasileiros em mais de 60 plataformas de streaming diferentes entre janeiro e março de 2026. A pesquisa considera ações como buscas por conteúdos, cliques em serviços, adição de filmes e séries à lista de favoritos e marcações de títulos como “assistidos”.
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