O Aeroporto de Badajoz não é exatamente o tipo de aeroporto que costuma aparecer nas notícias. Em 2016, o local recebeu o Boeing 747 particular do Emir de Dubai, para um pouso que exigiu adaptações na pista, escadas e reboques para acomodar a maior aeronave da história da aviação mundial.
Segundo dados coletados pela OndaCero, trata-se de um aeroporto regional de porte médio, com pouco mais de 107 mil passageiros por ano e cerca de 4,5 mil operações anuais. Mas, em uma tarde de abril de 2016, a equipe do aeroporto viveu as três horas mais estressantes de sua história: precisou se adaptar completamente para receber o maior avião particular a pousar em sua pista.
O que pousou naquele dia no aeroporto não era um jato particular qualquer. Era um Boeing 747-400 Combi pertencente a Mohammed bin Rashid Al Maktoum, Emir de Dubai e Primeiro-Ministro dos Emirados Árabes Unidos. Uma aeronave projetada para transportar até 530 passageiros, que, em sua configuração particular, serve como embaixada e residência voadora para o líder dos Emirados Árabes Unidos.
O que um emir como você está fazendo num lugar como este?
Conforme relatado pelo El Correo del Golfo, a visita do emir ao aeroporto da Extremadura não foi por acaso. Mohammed bin Rashid Al Maktoum chegou com uma delegação de cerca de 30 pessoas para inspecionar a nova propriedade que havia adquirido perto de Táliga, uma área de aproximadamente 200 hectares de floresta de azinheiras.
Embora tenha sido a primeira vez que o emir visitou Badajoz pessoalmente, a presença de seus representantes na região não era novidade. Segundo o jornal La Vanguardia, naquele mesmo ano, vários membros de famílias reais do Golfo Pérsico haviam adquirido propriedades na Extremadura, atraídos pela vastidão das dehesa (pastagens), pela privacidade do ambiente rural e pela proximidade com excelentes rotas equestres. A região de Olivenza possui várias dessas propriedades e, desde então, o Sheikh Mohammed visitou a área em mais de uma ocasião com a mesma aeronave.
Pousar um Boeing 747 em um aeroporto regional não é apenas uma operação de transporte aéreo; a operação representou um desafio logístico significativo para a infraestrutura. Não habituadas a lidar com aeronaves desse porte, as autoridades aeroportuárias tiveram que expandir as zonas de segurança da pista, reforçar o pavimento e até mesmo adaptar a pista de táxi para garantir espaço suficiente.
Além disso, precisaram adquirir escadas de acesso maiores, já que as normalmente utilizadas não alcançavam o andar duplo do Boeing 747.
Uma situação semelhante ocorreu com os veículos de reboque, adequados para movimentar aeronaves comerciais menores, mas sem a potência necessária para manobrar um gigante como esse.
Segundo a LuxuryLaunches, o aeroporto também precisou instalar geradores de maior capacidade para manter a cabine VIP e o sistema de ar condicionado da aeronave em funcionamento durante a visita do presidente à sua propriedade em Táliga.
O Aeroporto de Badajoz atendia aos requisitos mínimos para operar aeronaves desse porte, mas precisou se adaptar a uma manobra bastante incomum para um aeroporto regional na Extremadura. A visita durou três horas. Os preparativos levaram consideravelmente mais tempo.
Residência presidencial voadora
O "jato particular" do Emir de Dubai não se parece em nada com os jatos particulares convencionais; assemelha-se mais a um palácio voador do que a um avião comercial. A parte dianteira abriga o quarto privativo com a suíte do Sheikh, luxuosamente decorada com acessórios de ouro e um chuveiro.
No centro da aeronave fica o majlis, uma área de recepção da tradição árabe, onde o Emir se reúne com seu conselho durante o voo. Na parte traseira, um lounge e uma área de jantar servem como sala de reuniões com capacidade para 26 pessoas, e no andar superior, há oito minisuítes com assentos que se transformam em camas para acomodar a comitiva que o acompanha em cada uma de suas viagens.
Até mesmo a cabine de comando tem seu próprio detalhe único: as alavancas de aceleração e os controles dos flaps são banhados a ouro.
A configuração Combi da aeronave também permite o transporte de carga na parte traseira, com contêineres equipados para os cavalos do emir, principal motivo de suas sucessivas aquisições de terras e propriedades na zona rural da Extremadura. O emir pretendia usar essas propriedades como criadouros para seus cavalos e para organizar incursões equestres privadas em suas terras.
Imagem | Wikimedia Commons (Cybaaudi, Konstantin Von Wedelstaedt)
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