Enquanto nós continuamos planejando como colonizar a Lua, a China já possui um robô construtor de tijolos para começar a erguer uma base

  • Robôs humanoides para tudo, até mesmo para enviar à Lua;

  • Eles fazem parte da missão Chang'e-8 para construir uma estação lunar permanente

Imagem de capa | Xataka com Gemini
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Fabrício Mainenti

Redator

Quando falamos em exploração lunar, pensamos imediatamente no programa Artemis, mas os Estados Unidos não são o único país empenhado na colonização do nosso satélite. A China também tem um programa em andamento e acaba de apresentar um novo veículo lunar com quatro rodas e um torso humanoide. Sua função será auxiliar na coleta de amostras, transporte e instalação de instrumentos — algo como um carregador.

O que é exatamente?

É um robô com cerca de 100 kg, com uma seção inferior de quatro rodas e um torso humanoide com dois braços na parte superior. Não é um veículo científico típico; sua principal função é atuar como um carregador, coletando e posicionando diversos objetos e instrumentos.

O design híbrido, com rodas para movimentação e braços para manipulação, atende a uma necessidade específica: não há operadores na Lua para mover equipamentos, conectar sensores ou instalar instrumentos. Alguém precisa fazer isso, e esse alguém será este robô.

Desafios técnicos

O robô está equipado com sistemas de IA, visão remota e mapeamento 3D para navegar em um ambiente completamente desconhecido. A equipe que desenvolveu o robô, liderada pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, disse ao South China Morning Post que o principal desafio é fazer com que ambos os braços se movam de forma coordenada e precisa para manipular instrumentos frágeis.

Essa já é uma tarefa complexa na Terra, mas aqui terá que ser realizada em um ambiente hostil, com temperaturas extremas, terreno irregular e sem ninguém para reparar eventuais danos.

Para operar, o robô é alimentado por energia solar e foi projetado para funcionar por dois anos na superfície lunar, o que significa que ele enfrentará 24 noites lunares, cada uma com duração superior a 14 dias terrestres. Durante esses períodos, sem luz solar, o robô terá que entrar em hibernação e despertar no início de um novo dia.

A missão

O robô faz parte da missão Chang'e-8, programada para 2028-2029. Esta será a oitava missão da série Chang'e, que a China utiliza desde 2007 para explorar progressivamente a Lua: primeiro orbitadores, depois módulos de pouso, rovers e coleta de amostras.

O objetivo da missão Chang'e-8 é entregar materiais e começar a preparar o terreno para uma presença permanente no polo sul lunar. Portanto, o rover não foi projetado apenas para explorar, mas também para trabalhar.

A Chang'e-8 é um componente fundamental da Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), o projeto conjunto sino-russo para construir uma base na Lua usando técnicas de impressão 3D.

Por que o polo sul?

A escolha do local não é acidental. O polo sul lunar tem grande importância estratégica para as agências espaciais, pois é onde foram descobertas reservas de gelo de água em suas crateras. Esse gelo tem o potencial de ser convertido em combustível, oxigênio e água para qualquer base permanente.

Quem chegar primeiro, aprender a navegar pelo terreno e instalar o maior número de instrumentos terá uma vantagem significativa. É por isso que tanto a Chang'e-8 quanto a Artemis III estão indo para a mesma região.

Imagem de capa | Xataka com Gemini

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