Se você gosta de dirigir, ao redor do planeta há algumas estradas tão míticas que convidam a percorrê-las pelo menos uma vez na vida. É o caso da icônica Rota 66, que cruza os EUA de Chicago a Los Angeles, da bonita e cheia de curvas Transfăgărășan romena ou da perigosa Estrada da Morte, na Bolívia. Mas se você tem tempo e está nas Américas, há uma via que permite percorrer o continente praticamente de ponta a ponta: a Rodovia Pan-Americana.
Essa estrada é a mais longa do mundo, com uma extensão de 17.848 quilômetros, o que permite atravessar o continente americano de norte a sul: de Prudhoe Bay, no Alasca, até Ushuaia, na Terra do Fogo, na Argentina.
Vale destacar que esse número corresponde apenas à estrada principal, mas, na prática, trata-se de um conjunto de várias rodovias por diferentes países e com características distintas, adaptando seu traçado a regiões como grandes cidades, litorais e áreas montanhosas. Se somarmos as variantes e ramais, o total chega a 30.000 quilômetros, embora o Guinness diga apenas que são mais de 24.140 quilômetros ao longo dos 14 países que atravessa.
As origens
Embora a Pan-Americana inicialmente tenha sido idealizada como uma ferrovia, foi na Quinta Conferência Internacional dos Estados Americanos, em 1923, que a ideia ganhou forma como uma rodovia, considerando o crescimento do uso do automóvel. Ainda assim, levaria décadas para se concretizar: foi na Convenção sobre a Rodovia Pan-Americana que os 14 países assinaram o acordo, sendo o México o primeiro a concluir sua parte, por volta de 1950.
Para definir qual seria o melhor trajeto, a “Expedição Brasileira da Rodovia Pan-Americana” foi pioneira ao percorrer o continente escolhendo a rota mais prática. O tenente Leônidas Borges de Oliveira, como líder da missão, Francisco Lopes da Cruz, como observador, e Mário Fava, como mecânico, partiram do Rio de Janeiro em 16 de abril de 1928 com dois Ford Modelo T e chegaram a Washington D.C. dez anos depois.
Em números
Só os 17.848 quilômetros de extensão de sua estrada principal já a colocam como a rota mais longa, seguida por outras como a estrada Transiberiana (que percorre apenas a Rússia e tem cerca de 11.000 quilômetros) ou a Highway 1 australiana, com 14.500 quilômetros. Mas há mais números impressionantes:
- Percorre 14 países e conecta 10 capitais.
- Há apenas um trecho incompleto de 106 quilômetros.
- 23 dias, 22 horas e 43 minutos é o tempo recorde para percorrê-la de carro registrado no Guinness Book of World Records. Se você dirigir 8 horas por dia, a conta não fecha.
- Seu ponto mais alto fica no Cerro de la Muerte, na Costa Rica, a cerca de 3.500 metros de altitude.
O “buraco”: Tapón del Darién
Embora a Rodovia Pan-Americana percorra a América de cima a baixo, há uma lacuna na fronteira entre Panamá e Colômbia, o Tapón del Darién. Esse trecho interrompido fica em uma área montanhosa e acidentada, em plena selva. Ou seja, a estrada termina em Turbo (Colômbia), de um lado, e em Yaviza (Panamá), do outro. Montanhas, pântanos e uma densa floresta têm sido um fator geográfico decisivo para que não seja possível atravessar o continente de forma contínua de carro sem sair dessa rodovia.
No entanto, também houve problemas ambientais e políticos que impediram a conclusão do traçado. Em 1971, EUA, Colômbia e Panamá chegaram a um acordo para cobrir esse trecho e dividir os custos. Porém, após protestos ambientalistas e uma revisão na estimativa de custos — que praticamente dobrou —, o projeto foi interrompido. Hoje, não há planos ativos para concluir a Rodovia Pan-Americana.
Ao longo de seu trajeto, a Pan-Americana cruza florestas tropicais, a Cordilheira dos Andes, desertos e zonas sísmicas, o que faz com que sua construção não tenha sido uma obra comum. O acesso e as condições climáticas representam um desafio para máquinas, equipes e materiais. E, depois de construída, surge a questão da manutenção de uma rede viária que atravessa diferentes países, orçamentos e padrões.
Imagem | Joseph Corl, FanHabbo e Seaweege
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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