Um novo estudo mostra que seu cérebro já decidiu o que você vai comer antes da fome aparecer

Pesquisadores brasileiros descobriram que os desejos por alimentos calóricos podem nascer de hábitos automáticos do cérebro muito antes de qualquer decisão consciente — uma descoberta que ajuda a explicar por que resistir a certos alimentos é tão difícil

Mulher Olhando Dentro Da Geladeir
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Quem nunca abriu a geladeira sem estar realmente com fome ou sentiu uma vontade repentina de comer um doce no meio da tarde? Um estudo publicado em julho na revista Psicologia da Comunicação, conduzido por Malika Tapparel, Hugo Najberg e Lucas Spierer, sugere que esses impulsos podem começar bem antes de uma escolha consciente

Ao acompanhar voluntários durante duas semanas e realizar testes cognitivos com registros em tempo real feitos pelo celular, os pesquisadores descobriram que mecanismos automáticos de aprendizagem do cérebro têm papel importante na intensidade do desejo por alimentos altamente calóricos. Com isso, eles concluíram que a vontade de comer não nasce apenas da fome, mas também de padrões mentais construídos ao longo da vida.

O cérebro aprende hábitos alimentares sem que você perceba

Embora muita gente associe o desejo por comida apenas à fome ou ao cheiro de um alimento apetitoso, os resultados do estudo indicam que a história é mais complexa. Os pesquisadores avaliaram 81 adultos saudáveis ao longo de duas semanas, combinando experimentos de laboratório com um aplicativo no qual os participantes registravam quando sentiam vontade de comer, o que consumiam e a intensidade desses desejos.

No laboratório, a equipe investigou diferentes formas de aprendizagem do cérebro. Uma delas foi a chamada aprendizagem por reforço "livre de modelo", um mecanismo responsável pela formação de hábitos alimentares automáticos. É como se o cérebro passasse a repetir comportamentos que, no passado, trouxeram alguma recompensa, sem analisar conscientemente as consequências de cada escolha,.

Para os pesquisadores, esse mecanismo foi o que apresentou a relação mais forte com os desejos alimentares. Os participantes com maior tendência a esse tipo de aprendizagem relataram vontades mais intensas por alimentos ricos em açúcar, gordura ou calorias. Segundo os autores, isso sugere que parte das nossas escolhas alimentares pode ser influenciada por processos automáticos que acontecem antes mesmo de refletirmos sobre o que queremos comer.

O cérebro pode criar desejos por comida antes mesmo de você sentir fome

mulher comendo chocolate Os participantes que tinham maior tendência a agir por hábito sentiram desejos mais fortes por alimentos ricos em açúcar e gordura, como doces, salgadinhos e fast food

Além de investigar o papel dos hábitos automáticos, os pesquisadores também quiseram entender se os estímulos do ambiente poderiam intensificar os desejos por comida. Eles esperavam que pessoas mais sensíveis a estímulos associados à comida, como imagens e cheiros, apresentassem desejos mais intensos, mas essa ideia não foi confirmada. O estudo também não encontrou evidências de que esses mecanismos cerebrais aumentassem automaticamente o consumo de alimentos calóricos. Os próprios autores explicam que a maioria dos participantes consumiu poucos desses alimentos durante o período de acompanhamento, o que limitou essa análise.

Apesar disso, os pesquisadores afirmam que os resultados ajudam a compreender por que controlar a alimentação nem sempre depende apenas de força de vontade. Os dados indicam que hábitos aprendidos pelo cérebro podem influenciar o surgimento dos desejos muito antes de uma decisão acontecer. Como o estudo foi realizado apenas com adultos saudáveis e acompanhou os participantes por duas semanas, os autores destacam que novas pesquisas serão necessárias para verificar se o mesmo padrão ocorre em pessoas com obesidade, transtornos alimentares ou outros perfis

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