Estudante passou quatro horas "estragando" uma apresentação perfeita gerada por IA para que não parecesse uma apresentação de IA

Há uma corrida armamentista entre as universidades que tentam impedir a fraude gerada por IA e os estudantes que a cometem

Para evitar serem pegos, alguns estudantes passam tanto tempo "disfarçando" suas ações que a fraude acaba levando o mesmo tempo que não fraudar

Imagem | Xataka con Magnific
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PH Mota

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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Antes da IA, os estudantes já colavam em provas, baixavam trabalhos de sites ou até pagavam alguém para fazê-los por eles. Com a IA, a fraude tornou-se tão fácil e comum que a comunidade educacional está tomando medidas. Mas os professores não são ingênuos; eles percebem quando um aluno usa IA, e é por isso que cada vez mais alunos estão tentando disfarçar a fraude. Bem-vindos à guerra entre aqueles que trapaceiam com IA e aqueles que a detectam.

Detectando IA

Neste momento, se o ChatGPT cria uma tarefa para a turma e o aluno a envia sem alterações, é muito provável que o professor o flagre. Já somos capazes de detectar as frases e palavras típicas que a IA costuma usar; alucinações e dados não verificados podem passar despercebidos pelas máquinas. Além disso, muitas universidades usam softwares antiplágio como o Turnitin, que também inclui detectores de IA.

Esses detectores não são muito confiáveis, e até mesmo o Turnitin reconhece a existência de falsos positivos, apresentando seus resultados como um sinal para o professor investigar o caso, e não como um veredito automático. As suspeitas muitas vezes surgem de detalhes mais sutis, como uma mudança abrupta de estilo, referências que o aluno não consegue defender ou um trabalho excessivamente polido.

Solução: disfarçar

Existe a opção de usar ferramentas de "humanização" de texto, cujo objetivo é eliminar as frases e palavras típicas que a IA costuma usar, para que não seja tão óbvio. No entanto, alguns alunos preferem dedicar tempo a revisar e reescrever os textos da IA ​​para que pareçam originais.

A revista New York Magazine entrevistou vários alunos que compartilharam seus truques, como Will, que reescreve o texto inteiro linha por linha para que não seja perceptível que ele usou o Claude para escrevê-lo. Ou Theo, que encomendou uma apresentação de astronomia da Codex, e o resultado ficou tão perfeito que ele teve que passar quatro horas "estragando" o texto para que parecesse ter sido escrito por um aluno do seu nível. "Deu muito trabalho", disse o aluno. Ele provavelmente teria terminado mais rápido se tivesse feito o trabalho ele mesmo.

Aprimorando a fraude

À medida que as universidades implementam obstáculos à fraude, os alunos também descobrem maneiras de contorná-los. A Universidade de Nova York usa uma plataforma chamada WebAssign, que visa dificultar bastante a fraude na realização de trabalhos, mas, como diz o ditado, querer é poder. Um aluno criou um bot para preencher as respostas de forma lenta e errática, imitando o ritmo de um aluno para não levantar suspeitas. Ele então compartilhou o bot com outros colegas.

O paradoxo é que a fraude não se resume mais a simplesmente pedir algo ao ChatGPT e colar a resposta: pode exigir revisão, reescrita ou até mesmo programação suficiente para que o resultado pareça humano.

Desconfiança

É isso que a IA provocou no setor educacional, e há um exemplo que ilustra muito bem a situação. A Universidade de Princeton se gabava de confiar tanto na integridade de seus alunos que não supervisionava as provas. Isso acabou, e em maio deste ano, anunciaram que começariam a monitorar as provas presenciais, pondo fim a uma política que datava de 1893, há mais de um século.

E se a solução não for a perseguição?

Alguns acreditam que a solução reside na criação de detectores mais poderosos ou no aumento da vigilância. Em entrevista à revista New York Magazine, Danielle Carr, professora da UCLA, argumenta que a IA não é "um problema técnico com uma solução técnica" e que, se os alunos quiserem colar, encontrarão um jeito. Sua abordagem envolve o desenvolvimento de aulas e avaliações em que o aprendizado seja mais recompensador do que delegar o trabalho.

Algumas universidades espanholas já estão testando modelos com diferentes níveis de uso: proibido em disciplinas básicas, permitido com transparência em outras e obrigatório em projetos avançados, nos quais os alunos devem demonstrar sua compreensão e capacidade de avaliar o resultado da ferramenta. Alberto Sols, diretor da Escola de Arquitetura, Engenharia, Ciências e Computação, afirma que a IA pode ser um "exoesqueleto intelectual", mas, primeiro, precisamos aprender a andar sem ela.

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