Impedidas de sentar e ir ao banheiro: ex-funcionárias grávidas processam a Amazon nos EUA e revelam punições por pausas simples durante a gestação no trabalho

Quatro ex-funcionárias dizem ter sido punidas após solicitar adaptações simples para continuar trabalhando durante a gestação

Impedidas De Sentar E Ir Ao Banheiro
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Natália P. Martins

Redatora

A Amazon está sendo processada nos Estados Unidos por quatro ex-funcionárias de armazéns em Nova York que afirmam ter sido impedidas de receber adaptações básicas durante a gravidez, como fazer pausas para ir ao banheiro, descansar por 15 minutos e trabalhar sentadas.

Funcionárias dizem que foram punidas por fazer pausas

A ação coletiva acusa a empresa de violar a Pregnant Workers Fairness Act (PWFA), lei federal aprovada em 2022 que exige que empregadores ofereçam adaptações razoáveis a trabalhadoras grávidas, desde que não representem dificuldade ou custo excessivo para a empresa.

As autoras — Willamina Barclay, Kristina Green, Jennifer Hatch e Dazaria Parks — trabalhavam em armazéns da Amazon em Nova York. Segundo o processo, elas solicitaram mudanças nas condições de trabalho para conseguir continuar desempenhando suas funções durante a gestação.

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Entre os pedidos estavam pausas para usar o banheiro, uma pausa adicional de 15 minutos e a possibilidade de trabalhar sentadas em vez de permanecer em pé.

A ação afirma que os pedidos foram negados e que as funcionárias tiveram de continuar trabalhando nas mesmas condições. Quando posteriormente fizeram pausas ou se ausentaram por motivos médicos, como consultas, descanso ou atendimento de emergência, elas dizem ter sido punidas.

Em um dos casos, uma funcionária afirma que também foi penalizada por retirar leite materno em uma sala de lactação. O tempo utilizado para isso teria sido registrado como período de "inatividade", segundo o processo.

As quatro trabalhadoras foram posteriormente demitidas pela Amazon.

As ex-funcionárias buscam, por meio da ação coletiva, mudanças nas políticas da Amazon, além de indenizações pelas supostas violações. O pedido também pretende abranger outras trabalhadoras que teriam passado por situações semelhantes.

Organização diz ter recebido dezenas de relatos

De acordo com a ação, os casos não seriam isolados. A A Better Balance, organização que representa as trabalhadoras ao lado do escritório Emery Celli Brinckerhoff Abady Ward & Maazel, afirma ter recebido dezenas de relatos de funcionárias grávidas da Amazon somente em 2025.

Segundo a organização, as reclamações envolviam justamente pedidos considerados básicos, como acesso a cadeiras, pausas adicionais e tempo para consultas pré-natais.

"Negar a uma trabalhadora grávida um banquinho, uma carga de trabalho mais leve ou uma pausa para ir ao banheiro é uma violação da lei federal", disse Inimai Chettiar, presidente da A Better Balance, à Associated Press.

A ação também cita investigações realizadas por autoridades estaduais em Nova Jersey e Nova York e conclusões da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC) sobre práticas relacionadas a trabalhadoras grávidas da Amazon.

Amazon nega as acusações

A Amazon contestou a versão apresentada no processo. Em declaração à Associated Press, a porta-voz Kelly Nantel afirmou que a descrição dos acontecimentos é imprecisa.

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Segundo a empresa, garantir a saúde e o bem-estar dos funcionários está entre suas responsabilidades e a companhia oferece suporte a dezenas de milhares de trabalhadoras que recebem adaptações relacionadas à gravidez todos os anos.

A Amazon também afirmou ter aprovado mais de 99,9% dos pedidos de adaptações relacionadas à gravidez no último ano. A empresa disse ainda que os relatos apresentados pela A Better Balance contêm imprecisões e deixam de fora informações importantes.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça americana.

Imagens: Shutterstock

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