Texto original de Álvaro García M.
O Redmi Note 17 tem tudo para ser um campeão de vendas, não apenas para a Xiaomi, mas para o mercado em geral. É um intermediário projetado, em teoria, para quem busca um celular versátil, capaz de dar conta do recado em redes sociais, mensagens, fotos e bateria. Nós, do Xataka, o colocamos à prova para conferir se ele também entrega isso na prática.
✅ Compre se...
- Você prefere uma tela grande e de boa qualidade para assistir a vídeos;
- Quer um celular com bateria que dure, mesmo se precisar sair de casa sem carregador;
- Busca resultados fotográficos aceitáveis.
❌ Não compre se...
- Você pretende exigir muito do aparelho com jogos pesados ou trabalhar com muitos aplicativos ao mesmo tempo;
- Não gosta de celulares grandes (este tem uma tela de quase sete polegadas);
- Prefere camadas do Android mais simples em termos de estética e aplicativos pré-instalados.
O essencial em 30 segundos
O Redmi Note 17 oferece o que, no papel, representa um salto de qualidade no desempenho ao adotar o Snapdragon 4 Gen 4 — um dos processadores mais recentes da Qualcomm para a categoria intermediária. Ele garante fluidez no dia a dia, embora eu já adiante que, apesar de não ser um desempenho desastroso, esse não é o ponto forte do aparelho.
Seu grande trunfo é uma das baterias de maior capacidade já vistas nesta linha: 7.700 mAh. Nesse aspecto, ele realmente cumpre o que promete, oferecendo vários dias de uso sem que você precise se preocupar com o carregador.
Para completar, o conjunto de câmeras — embora não seja o mais versátil nem ofereça a melhor qualidade absoluta — entregou resultados mais do que satisfatórios. Ele se apresenta como uma ótima opção versátil para quem já conhece o ecossistema da Xiaomi e quer continuar nele sem gastar muito dinheiro.
Nota geral: 7,4/10
Design: 7,5
Tela: 8,2
Rendimento: 6,5
Câmera: 6,7
Software: 7,0
Bateria: 8,7
✅Prós
- A autonomia jamais será um problema;
- Tela muito bem calibrada e com brilho para exteriores;
- Resultados fotográficos mais que aceitáveis.
❌Contras
- Versões de 4GB e 8GB insuficientes para um bom rendimento em aplicativos e jogos exigentes;
- HyperOS muito carregado de apps inúteis e sem funções de IA nativa;
- Não tem conectividade 5G.
Nossa experiência com o Redmi Note 17
Imagem: Xataka
Não é para qualquer bolso
E não digo isso pelo preço, mas porque, literalmente, pode ser que ele não caiba no bolso, já que é um dos celulares mais grandes do mercado — embora também não chegue a ser um "tijolo".
A pegada é boa, o acesso aos botões é fácil e a parte traseira não acumula marcas de dedos, nem mesmo na versão preta (embora venha com uma capa de silicone, por precaução). O módulo da câmera traseira faz com que o aparelho "balance" levemente quando colocado sobre uma mesa.
Há pontos positivos e negativos no quesito multimídia
A tela é o grande destaque do Redmi Note 17, e não apenas pelo seu tamanho generoso de 6,99 polegadas, mas por ser realmente um painel de excelente qualidade: conta com uma boa calibração de cores de fábrica, bons ângulos de visão e uma resolução mais do que adequada para assistir a vídeos em qualquer situação.
Mesmo ao ar livre, sob luz intensa, o brilho se comporta perfeitamente, permitindo visualizar o conteúdo (embora o brilho máximo não se sustente por mais do que alguns minutos). O ponto negativo é que ele possui apenas um alto-falante, que reproduz um som com aspecto metálico ("enlatado"), tornando quase obrigatório o uso de fones de ouvido para assistir a séries ou ouvir música.
Imagem: Xataka
Um desempenho bastante justo
O Redmi Note 17 se comporta exatamente como se espera de um celular. Ele abre aplicativos com uma velocidade razoável e permite navegar por eles com fluidez. No entanto, tende a ficar um pouco mais lento quando há vários processos em segundo plano.
Seu ponto fraco está nas tarefas exigentes e no gerenciamento térmico — jogos como 'Genshin Impact' são a melhor prova disso, pois ocorrem quedas de quadros com os gráficos no máximo e o aparelho começa a esquentar com muita facilidade. Essa questão da temperatura também é sentida durante o uso prolongado de aplicativos "comuns" (WhatsApp, Google Maps, etc.).
No quesito software, encontramos o HyperOS 3 que, apesar de oferecer muitas opções de personalização, ainda peca pelo excesso de bloatware (muitos aplicativos pré-instalados). Há também recursos de IA do Google, desde o Gemini até funções como o "Circular para Pesquisar" (Circle to Search), embora tudo isso esteja restrito aos aplicativos do Google, já que não há nenhum recurso de destaque nesse sentido nativamente no sistema.
Sem 5G... em 2026
O lançamento de um celular compatível apenas com redes 4G nesta altura do campeonato me parece um ponto negativo importante. Não chega a ser um problema gravíssimo, já que afeta basicamente a velocidade de acesso à internet móvel, mas, quase dez anos após o início da expansão das redes 5G, acredito que até celulares de categoria intermediária-baixa como este deveriam ser compatíveis, em vez de continuarem lançando versões separadas para 5G e 4G.
É difícil esgotar a bateria
O Redmi Note 17 é um exemplo claro da boa fase das baterias em celulares, oferecendo quase oito horas de tela com aplicativos como WhatsApp, Google Maps, X, Instagram e alguns jogos leves, como 'Candy Crush'. Em condições normais, essas oito horas podem se traduzir em dois (ou até mais) dias de uso.
O porém é que uma bateria com mais de 7.000 mAh faz com que o carregamento rápido não seja tão veloz assim; ainda assim, com um adaptador de 45 W, conseguimos cerca de 20% de carga extra em apenas dez minutos.
Sem surpresas nas câmeras
A Xiaomi evitou o erro de adicionar muitos sensores ao Redmi Note 17 e, em vez disso, oferece um único sensor principal na traseira que tem um desempenho bastante satisfatório em todo tipo de cenário. O aparelho deixa um pouco a desejar em condições desafiadoras, como ambientes com pouca luz ou ao usar o zoom, mas mostra ser um dispositivo mais do que convincente.
Câmera frontal | Imagem: Xataka
A câmera frontal é bastante modesta; mesmo em locais com boa iluminação, ela peca por introduzir muito ruído na imagem e apresentar um baixo nível de detalhes. No entanto, há pontos positivos, como tons de pele bastante naturais. E, a menos que você busque uma selfie de nível profissional, ela dá conta do recado para videochamadas e fotos ocasionais.
Câmera principal traseira | Imagem: Xataka
O sensor principal, que chega a 50 megapixels no modo de maior resolução, é um sensor que cumpre muito bem o seu papel. Oferece uma colorimetria bastante natural, com um bom nível de detalhamento e uma faixa dinâmica mais do que aceitável para o seu segmento.
Câmera traseira principal com zoom de 10x (digital) | Imagem: Xataka
Como curiosidade, o Redmi Note 17 não possui lente teleobjetiva para tirar boas fotos à distância, mas emula um zoom digital de 10x com o sensor principal. Os resultados não são excepcionais, mas percebe-se um certo trabalho de processamento para evitar que a imagem seja apenas um recorte bruto. Já o zoom digital de 2x apresenta um resultado melhor, com menor perda de detalhes.
Câmera traseira sem modo noturno (esq.) e com modo noturno (dir.) | Imagem: Xataka
O resultado das fotos em condições de pouca luz é apenas mediano, com um nível de detalhes baixo. No entanto, com o modo noturno ativado (disponível nas opções "Mais" da câmera), a luminosidade melhora consideravelmente sem gerar um efeito de luz excessivamente artificial, embora o detalhamento das texturas continue não sendo nada de extraordinário.
Retrato com a câmera traseira (esq.) e com a frontal (dir.) | Imagem: Xataka
O destaque fica por conta do modo retrato, que é um dos melhores recursos do Redmi Note 17. Talvez não seja o modo que oferece a maior resolução, já que, tanto na câmera frontal quanto na traseira, há uma perda evidente de detalhes nas texturas ao aplicar zoom. No entanto, o recorte é praticamente perfeito, embora haja um pouco mais de dificuldade na câmera frontal. Mas nada grave.
Ficha técnica do Redmi Note 17
DIMENSÕES E PESO
Altura: 16,97 cm
Largura: 7,91 cm
Espessura: 0,85 cm
Peso: 225 gramas
TELA
AMOLED de 6,99 polegadas
Resolução de 2.396 x 1.080p
375 pixels por polegada
Taxa de atualização de 120 Hz
Brilho típico de 700 nits, 1.200 nits (HBM) e pico de 1.800 nits
PROCESSADOR
Qualcomm Snapdragon 4 Gen 4
GPU Adreno 613
MEMÓRIA
4 GB / 6 GB
ARMAZENAMENTO
128 GB / 256 GB
BATERIA
7.700 mAh
Carregamento rápido de 45 W (com fio)
Carregamento reverso de 22,5 W
CÂMERA TRASEIRA
50 MP com f/1,8
CÂMERA FRONTAL
16 MP com f/2,5
SISTEMA OPERACIONAL
HyperOS 3 baseado no Android 16
CONECTIVIDADE
Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac
4G
Bluetooth 5.1
GPS
NFC
USB-C (USB 2.0)
OUTROS
Sensor de impressão digital na tela
PREÇO
4 GB + 128 GB: 279,99 euros (cerca de R$ 1.664)
6 GB + 256 GB: 299,99 euros (cerca de R$ 1.783)
Redmi Note 17, a opinião do Xataka
Imagem: Xataka
O Redmi Note 17 é um celular que aposta na praticidade e acerta em grande parte de suas prioridades. Tela enorme, bateria incansável e uma câmera principal capaz de oferecer bons resultados quando a iluminação ajuda fazem dele um aparelho muito competente para o dia a dia. Embora esteja longe de ser perfeito.
O desempenho, sem ser ruim, não está no mesmo nível do restante do conjunto, algo que se percebe quando exigimos um pouco mais do aparelho. O HyperOS também não parece estar totalmente otimizado aqui. Ainda assim, ele reúne argumentos de sobra para ser uma opção a se considerar.
Eu o recomendo?
Sim, mas com ressalvas. O Redmi Note 17 é um celular muito fácil de recomendar para quem prioriza uma tela grande, excelente autonomia e uma câmera principal que entrega bons resultados. Nesses aspectos, ele oferece uma experiência mais do que satisfatória e, além disso, tem um bom desempenho nas tarefas cotidianas.
É preciso ter mais atenção quanto ao desempenho. Se você pretende jogar muito no celular ou costuma usar vários aplicativos simultaneamente para trabalho ou estudos, é melhor procurar um aparelho mais potente. No uso diário, com multimídia e redes sociais, o Redmi Note 17 cumpre com folga o seu papel de celular versátil.
Imagens | Xataka
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