Achávamos que era biologicamente impossível ter gêmeos de pais diferentes até um teste de paternidade revelar um dos fenômenos mais raros do mundo

Fenômeno raro, chamado superfecundação heteropaternal, ocorre quando gêmeos têm a mesma mãe, mas pais diferentes.

Gemeos
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Em 2018, uma mãe de gêmeos procurou o Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia para realizar um teste de paternidade de rotina. O resultado foi inesperado: os bebês eram filhos dela, mas tinham pais diferentes.

O fenômeno é conhecido como superfecundação heteropaternal — um evento extremamente raro, com poucos casos documentados ao redor do mundo.

Superfecundação exige combinação rara de fatores biológicos

A superfecundação heteropaternal ocorre quando dois óvulos liberados no mesmo ciclo menstrual são fecundados por espermatozoides de homens diferentes.

Para que isso aconteça, é necessário que múltiplas condições raras coincidam:

  • Liberação de mais de um óvulo (poliovulação);
  • Relações com parceiros diferentes em curto intervalo de tempo;
  • Fecundação de ambos os óvulos dentro do período fértil.

Os especialistas estimam que esse intervalo pode variar entre 24 e 36 horas, período em que os óvulos permanecem viáveis após a ovulação.

Análise genética confirmou paternidade distinta

Para determinar a paternidade, os pesquisadores utilizaram a análise de marcadores microssatélites, método padrão em testes genéticos. A técnica consiste na comparação de fragmentos específicos do DNA da mãe, das crianças e do suposto pai.

Os resultados mostraram que o perfil genético do homem testado correspondia a apenas um dos gêmeos, descartando a paternidade do outro.

Segundo William Usaquén, diretor do laboratório, o teste foi repetido integralmente para descartar erros — e apresentou o mesmo resultado.

Casos documentados são extremamente raros

Uma análise publicada em 2014, com base em cerca de 39 mil testes de paternidade realizados nos Estados Unidos, identificou apenas três casos de superfecundação heteropaternal.

Pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia afirmam que, apesar de possível, esse tipo de evento é raramente observado na prática.

Foto de capa: Shutterstock

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