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"Não existe 'o gamer'": CEO da Player1 fala sobre 10 anos do PEB, maturidade do mercado e o que a IA ainda não consegue substituir

Em dez anos de Prêmio eSports Brasil, CEO da Player1 vê mercado mais maduro, mas alerta: marca que não entende a cultura da comunidade está desperdiçando dinheiro

Crédito de imagem: PEB
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João Paes

Redator
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João Paes

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Escreve sobre tecnologia, games e cultura pop há mais de 10 anos, tendo se interessado por tudo isso desde que abriu o primeiro computador (há muito mais de 10 anos). 

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Dez anos depois de criar o Prêmio eSports Brasil, a Player1 chegou ao Rio2C com novidades de posicionamento e com uma leitura clara sobre o que mudou, e o que ainda não mudou, na forma como marcas e empresas enxergam o universo gamer. Leandro Valentim, CEO da empresa, conversou com o Xataka Brasil sobre os erros mais comuns do mercado, as transformações de comportamento da audiência e por que autenticidade ainda vale mais do que tecnologia quando o assunto é comunidade.

O erro que todo mundo ainda comete

Para Valentim, o principal equívoco de marcas ao tentar se aproximar do público gamer é tratar esse universo como um bloco único. "Uma das maiores lições que aprendemos na última década é que não existe 'o gamer'. Existem comunidades, culturas e comportamentos muito diferentes convivendo sob o mesmo guarda-chuva", afirma.

Segundo ele, muitas empresas já compreenderam que os games movimentam audiências relevantes, mas ainda recorrem a uma estética superficial, usando referências visuais ou memes sem entender as dinâmicas culturais por trás de cada comunidade. "Quem acompanha Counter-Strike tem referências, ídolos e hábitos muito diferentes de quem vive o universo de Free Fire, League of Legends ou jogos de futebol virtual como EA FC ou eFootball", explica. "Mais do que falar com gamers, as marcas precisam aprender a participar dessas comunidades de forma legítima."

A audiência que não quer só assistir

Nos últimos cinco anos, Valentim observa um movimento que chama de "retorno às origens". Depois de um período em que os esports buscaram se aproximar do formato do esporte tradicional, com transmissões institucionalizadas e estúdios robustos, a audiência passou a preferir cada vez mais criadores que nasceram dentro da própria comunidade. Co-streams, watch parties e projetos liderados por personalidades com trajetória orgânica nos jogos são os exemplos mais visíveis disso.

"O que muita gente ainda não percebeu é que a comunidade não quer apenas consumir conteúdo. Ela quer participar da construção da narrativa. O espectador moderno não é apenas audiência: ele é comentarista, criador de memes, produtor de conteúdo e agente ativo daquela cultura", diz.

IA: aliada ou ameaça?

O tema da inteligência artificial apareceu em diferentes momentos da conversa, e a posição de Valentim é consistente: a tecnologia acelera processos, mas não substitui autenticidade. "Os games são, acima de tudo, ambientes sociais e culturais. Se a IA for utilizada para potencializar o trabalho humano, ela pode ser uma aliada extraordinária. Se for usada como substituta da criatividade, existe o risco de gerar experiências tecnicamente eficientes, mas culturalmente vazias."

Para ele, o futuro do setor não será definido por quem usar mais IA, mas por quem conseguir equilibrar tecnologia e autenticidade de forma inteligente. "Memes, narrativas, rivalidades, referências e símbolos surgem organicamente das próprias pessoas. Isso não se automatiza."

Brasil: maduro, mas ainda em construção

Sobre o estágio do mercado brasileiro, Valentim reconhece avanços significativos na última década, com marcas de segmentos variados investindo em games e esports, e eventos internacionais lotando arenas. Mas pondera que mercados mais maduros já enxergam os games não apenas como canal de comunicação, e sim como uma camada cultural presente em diversas áreas da economia criativa. "Estamos caminhando nessa direção. O Brasil possui uma das comunidades mais engajadas do mundo. Quando investimento, estratégia e compreensão cultural caminham juntos, o potencial é enorme."

O executivo também faz uma distinção entre o que está superestimado e o que ainda está subestimado no setor. Na primeira categoria, coloca a tecnologia como solução universal. Na segunda, o valor cultural dos games em si. "Hoje, milhões de pessoas fazem amizades, constroem memórias, aprendem habilidades e vivem experiências significativas dentro dos jogos. Os games já são uma das maiores manifestações culturais do século XXI, mas nem sempre são tratados dessa forma fora da própria comunidade."

O Prêmio eSports Brasil chega ao seu décimo ano em um mercado diferente daquele em que nasceu. Valentim sabe disso, e parece que a Player1 também.


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