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Após anos de insinuações da China sobre possível invasão, Taiwan mostra como vai se defender

A ilha teve uma ideia: como destruir uma força invasora antes que ela consiga se estabelecer em terra

Míssil HIMAR
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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No final da década de 1950, a China bombardeou durante semanas as ilhas taiwanesas de Kinmen e Matsu com centenas de milhares de projéteis para testar a determinação de Taiwan e dos EUA. Aquela crise transformou o estreito de Taiwan em um dos pontos mais perigosos da Guerra Fria e deixou uma marca que ainda condiciona o planejamento militar de ambos os lados.

Dos exercícios aos preparativos reais. A China vem há anos ensaiando cenários de bloqueio, desembarque e invasão em torno de Taiwan. Seus navios e aeronaves operam de forma constante ao redor da ilha, e Pequim nunca abriu mão do uso da força para alcançar a reunificação.

Diante dessa pressão crescente, Taiwan deu um passo inédito: pela primeira vez, utilizou seus lançadores de foguetes HIMARS em fogo real a partir da costa ocidental da ilha, justamente em uma área considerada um dos locais mais prováveis para um desembarque chinês. Mais do que um simples teste, o exercício representou uma mudança de enfoque: passar de treinar longe do possível campo de batalha para praticar como deter uma invasão exatamente no local onde ela poderia ocorrer.

A mensagem direcionada

A demonstração teve uma carga estratégica evidente. Os HIMARS foram posicionados em frente ao estreito de Taiwan e dispararam dezenas de foguetes a partir de uma posição próxima a uma possível zona de desembarque. A mensagem implícita é que qualquer força anfíbia chinesa que tente atravessar o estreito terá de enfrentar um volume de fogo capaz de destruir navios, concentrações de tropas e pontos de apoio antes mesmo de alcançar a costa.

Durante anos, a China mostrou em seus próprios exercícios como atacaria as defesas taiwanesas; agora, Taiwan está mostrando como tentaria afundar uma invasão antes que ela possa se consolidar.

Os HIMARS se tornaram um dos pilares da nova defesa taiwanesa. O sistema, popularizado por seu desempenho na Ucrânia, combina mobilidade, precisão e capacidade de sobrevivência. Taiwan já dispõe de mísseis capazes de atingir alvos na costa continental chinesa e recebeu autorização para ampliar significativamente seu arsenal com novos lançadores e centenas de mísseis ATACMS.

A aquisição faz parte de uma estratégia desenhada para compensar a enorme superioridade militar chinesa por meio de armas relativamente pequenas, móveis e difíceis de destruir, capazes de infligir danos desproporcionais a uma força invasora muito maior.

HIMARs HIMARs

A transformação militar de Taiwan busca tornar a ilha um objetivo extremamente custoso de conquistar. Em vez de tentar igualar o tamanho das forças armadas chinesas, Taipei aposta em uma defesa assimétrica baseada em sistemas móveis, dispersos e difíceis de localizar. Os HIMARS se encaixam perfeitamente nessa filosofia.

Sua capacidade de disparar e mudar rapidamente de posição reduz o risco de serem detectados e destruídos por radares ou ataques de retaliação, permitindo que continuem operando mesmo em meio a um conflito de alta intensidade.

As praias onde a guerra poderia ser decidida

Os exercícios foram realizados na costa ocidental porque ali estão muitas das praias e planícies costeiras consideradas mais adequadas para uma operação anfíbia chinesa. Há anos, estrategistas militares identificam essas áreas como os pontos onde uma invasão teria maiores chances de sucesso.

Por esse motivo, Taiwan já não quer se limitar a treinar em campos de testes afastados do possível frente de combate. O objetivo é familiarizar as unidades com o terreno real, ensaiar deslocamentos rápidos e verificar como os sistemas de armas respondem nas mesmas áreas em que teriam de defender sob fogo inimigo.

A demonstração não era dirigida apenas à China. Taiwan também quis enviar um sinal aos EUA em um momento em que permanece bloqueado um importante pacote de ajuda militar avaliado em bilhões de dólares. As autoridades taiwanesas tentam demonstrar que estão dispostas a assumir uma parte ativa de sua própria defesa e que as armas fornecidas por Washington estão sendo integradas em planos concretos para resistir a uma agressão.

Em um contexto de debate sobre o compromisso estadunidense com a segurança da ilha, cada exercício também serve para reforçar o argumento de que Taiwan está se preparando seriamente para lutar caso o pior cenário se concretize.

Uma guerra cada vez mais visível

A importância simbólica dessas manobras vai além dos foguetes disparados. Durante anos, os exercícios chineses giraram em torno de como isolar, cercar e eventualmente invadir Taiwan. Os exercícios taiwaneses estão evoluindo em paralelo para uma pergunta diferente: como destruir uma força invasora antes que ela consiga se estabelecer em terra.

O aparecimento dos HIMARS nas praias ocidentais reflete exatamente essa mudança. Não se trata apenas de mostrar uma nova arma, mas de ensaiar uma resposta concreta ao cenário militar que mais preocupa a ilha e que cada vez mais condiciona a segurança de toda a região do Indo-Pacífico.

Imagem | X, U.S. Army

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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