Na semana passada, o governo espanhol lançou um plano de emergência para amenizar o impacto da guerra no Oriente Médio no bolso dos cidadãos. A medida mais visível é a redução de impostos sobre os combustíveis, de 21% para 10%, o que, na prática, se traduz em cerca de 30 centavos de euro a menos por litro de gasolina e cerca de 20 euros poupados por tanque.
No continente, milhares de condutores já notaram esta redução nos postos de gasolina desde que o decreto real entrou em vigor no último domingo. Nas Ilhas Canárias, porém, essa redução não existe. Isto é basicamente consequência de um sistema tributário que funciona há séculos de forma completamente diferente do resto do país.
As Ilhas Canárias não pagam IVA
Quando o governo reduz o IVA sobre os combustíveis, está a modificar um imposto que não se aplica no arquipélago. Nem o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) nem o Imposto Especial sobre Hidrocarbonetos, que se aplicam no resto do país, são aplicados nas Ilhas Canárias. Em vez disso, vigoram o Imposto Geral Indireto das Ilhas Canárias (IGIC) e um imposto regional específico sobre combustíveis derivados do petróleo.
Isso ocorre porque as Ilhas Canárias possuem um regime tributário especial dentro da Espanha e da União Europeia, com raízes históricas ligadas ao seu status de região ultraperiférica.
Diferença nas taxas
O IGIC funciona de forma semelhante ao IVA, mas suas taxas são muito menores. Enquanto a taxa padrão do IVA é de 21%, a taxa padrão do IGIC é de 7%. E se a taxa reduzida do IVA for de 10%, a taxa reduzida do IGIC cai para 3%. Isso significa que, cada vez que um motorista abastece seu tanque nas Ilhas Canárias, o imposto sobre o consumo que ele paga é menos da metade do que um motorista em Madri ou Sevilha pagaria.
No total, os combustíveis nas ilhas têm uma carga tributária de cerca de 25%, em comparação com a média nacional de 50%. Isso é feito para compensar os custos estruturais adicionais de ser um arquipélago distante do continente, sem oleodutos e com toda a sua energia importada por navio.
Margens
A diferença nas taxas de impostos limita a margem de manobra das ilhas. Quando o governo central reduz o IVA sobre os combustíveis de 21% para 10%, a redução é de 11 pontos percentuais. Se o governo das Ilhas Canárias quisesse aplicar uma redução equivalente, teria de baixar o IGIC (Imposto Geral Indireto das Ilhas Canárias) de 7% para 0%, e mesmo assim, não seria suficiente.
Assim, o impacto econômico no bolso dos consumidores não é o mesmo, apesar de o esforço proporcional ser comparável. Isto explica por que as poupanças geradas por este tipo de medidas são estruturalmente maiores no continente do que nas ilhas.
Nas Ilhas Canárias, os impostos já eram mais baixos, mas o aumento é sentido de forma mais aguda
Antes da crise, a gasolina era mais barata nas Ilhas Canárias graças ao REF (Regime Económico e Fiscal das Ilhas Canárias), à aplicação do IGIC em vez do IVA e à regulação de preços. Mas quando os preços do petróleo sobem, o efeito é particularmente acentuado no arquipélago.
A maioria dos bens de consumo no arquipélago chega por via marítima, incluindo o combustível. A rápida alta dos preços do petróleo bruto também afeta o transporte marítimo, o que, em última análise, encarece tudo.
Segundo dados do Ministério da Transição Ecológica compilados pela Dieselogasolina, o preço médio de um litro de gasolina de 95 octanas nas Ilhas Canárias subiu de € 1,181 para € 1,383 (de R$ 7 para R$ 8,2) desde o início da crise.
A estratégia que está sendo considerada pelas Ilhas Canárias
O governo regional de Fernando Clavijo já está trabalhando em sua própria medida anticrise. A principal medida é reduzir a zero o IGIC (Imposto sobre a Renda Interna sobre Combustíveis), eliminando os atuais 7%. Ela também inclui um desconto de 99,9% no imposto sobre combustíveis para empresas de transporte e deduções na parcela regional do imposto de renda.
No entanto, para implementá-la sem infringir a regra de gastos, o governo das Ilhas Canárias solicitou ao Ministério das Finanças a flexibilização desse limite.
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