Enquanto toneladas de latinhas de alumínio continuam sendo descartadas todos os dias no Brasil, um inventor de Roraima começou a transformar resíduos em móveis resistentes que suportam anos de uso sem perder a estrutura.
Criado pelo empreendedor Adriano Bezerra, o chamado “Projeto Lata” nasceu em Caracaraí, interior de Roraima, e hoje mistura reciclagem, design modular e geração de renda. Segundo o criador, algumas peças produzidas no início dos anos 2000 continuam em uso até hoje.
Técnica reutiliza latinhas sem derreter o alumínio
Diferente dos processos industriais tradicionais de reciclagem, o método criado por Adriano Bezerra não exige que o alumínio seja fundido ou transformado novamente em matéria-prima.
Latinhas de alum[inio se transformam em estruturas completas. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV
A proposta funciona a partir da desmontagem e reaproveitamento direto da estrutura das latinhas. As peças são cortadas, reorganizadas e conectadas com arames e suportes metálicos até formarem módulos resistentes que servem de base para móveis e objetos utilitários.
Ideia surgiu após conversa sobre resíduos sólidos nos anos 1990
A ideia do projeto apareceu em 1995, durante uma feira de invenções em São Paulo. Na época, Adriano ouviu discussões sobre o futuro do reaproveitamento de materiais como PET e alumínio e decidiu transformar aquilo em um desafio pessoal.
Durante anos, ele passou a testar pequenas estruturas artesanais, criando protótipos simples até desenvolver uma metodologia própria de montagem. Logo depois, o que antes era ideia virou patente.
Móveis produzidos com latinhas permanecem intactos após mais de 15 anos
Segundo Adriano, alguns móveis fabricados no início da produção continuam sendo usados normalmente após mais de uma década de exposição ao clima, peso e utilização constante.
A resistência vem da forma como as estruturas são montadas. As latinhas deixam de funcionar apenas como revestimento decorativo e integram toda a sustentação do móvel.
“Eu tenho peças com mais de 15 anos de uso que continuam firmes”, contou o inventor.
Ao longo dos anos, mais de 2 mil peças já foram comercializadas, incluindo bancos, mesas, cadeiras, suportes e lixeiras produzidas a partir da técnica modular.
Estruturas montadas com latas recicladas resistem a anos de uso. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV
Uma das estruturas mais conhecidas desenvolvidas pelo projeto é um bar montado com aproximadamente 200 mil tampinhas de alumínio, utilizado em manifestações culturais e eventos carnavalescos em Caracaraí.
Reaproveitamento de alumínio reduz descarte e prolonga vida útil do material
O alumínio é um dos materiais mais recicláveis do mundo, mas o reaproveitamento convencional ainda depende de processos industriais que exigem transporte, energia e fundição. Ao reutilizar diretamente as latinhas sem derreter o metal, o método desenvolvido em Roraima prolonga o ciclo de vida do material e reduz o descarte inadequado no meio ambiente.
Foto de capa: Nilzete Franco/FolhaBV
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