Um médico brasileiro realizou uma cirurgia enquanto estava literalmente do outro lado do planeta. A operação, conduzida entre a China e o Brasil, conectou a cidade de Wuhan a um centro cirúrgico em Porto Alegre.
O procedimento foi comandado pelo cirurgião Norberto Martins, chefe do Comitê de Robótica do Hospital Mãe de Deus, que operou uma paciente localizada no Rio Grande do Sul enquanto estava a quase 19 mil quilômetros dali, na China.
Cirurgia foi realizada entre China e Brasil em tempo quase real
A operação de retirada de vesícula biliar aconteceu na manhã desta quarta-feira e utilizou tecnologia de telecirurgia robótica de altíssima precisão. Enquanto o médico controlava os comandos em Wuhan, um robô instalado em Porto Alegre reproduzia os movimentos no centro cirúrgico praticamente sem atraso.
Segundo os responsáveis pelo procedimento, o tempo de resposta do sistema foi de cerca de 200 milissegundos — menos de um quarto de segundo entre o movimento feito pelo médico na China e a ação executada pelo robô no Brasil.
Na China, Dr. Norberto Martins realizou cirurgia no Brasil. Foto: Reprodução/Instagram
O médico controla joysticks e comandos digitais enquanto braços robóticos reproduzem os movimentos cirúrgicos com precisão muito maior do que a mão humana consegue executar sozinha.
Além da estabilidade, os sistemas conseguem filtrar tremores involuntários e ampliar os movimentos delicados realizados durante a operação.
Tecnologia já faz parte do funcionamento dos hospitais
O próprio Hospital Mãe de Deus já havia realizado anteriormente uma das primeiras telecirurgias robóticas da América Latina e vem ampliando os procedimentos com conexão internacional desde o ano passado.
No Hospital São Lucas da PUCRS, a cirurgia robótica já começou inclusive a ser utilizada dentro do Sistema Único de Saúde.
Sistemas possuem freios automáticos e mecanismos de segurança
Especialistas afirmam que os sistemas atuais possuem múltiplas camadas de proteção durante os procedimentos. Segundo médicos envolvidos nos programas de cirurgia robótica, os equipamentos conseguem identificar estruturas delicadas do corpo humano e até reduzir automaticamente a intensidade dos movimentos próximos de vasos sanguíneos importantes. Isso ajuda a diminuir riscos de erros e aumenta a precisão durante operações complexas.
Além disso, com movimentos extremamente precisos, cortes tendem a ser menores, o sangramento diminui e a recuperação do paciente costuma ser mais rápida. Médicos relatam que muitos pacientes conseguem caminhar já no dia seguinte ao procedimento, com menor dor pós-operatória e menor tempo de internação.
Brasil começa a formar nova geração de cirurgiões robóticos
A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre criou o primeiro centro de formação em cirurgia robótica do Rio Grande do Sul, onde centenas de profissionais já passaram por treinamento especializado.
Os médicos treinam em simuladores que reproduzem situações reais de cirurgia, permitindo aprendizado semelhante ao de simuladores de voo utilizados por pilotos.
Foto de capa: Reprodução/Hospital Mãe de Deus
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