Conectando dois neurônios com um fio: experimento de neurocientistas cria um "bypass" entre cérebros

Pesquisadores da Universidade Duke desenvolveram um "biofio" para criar um bypass entre neurônios

Até o momento, eles testaram o dispositivo em vermes e camundongos, mas ele se mostra promissor para uso em humanos

Imagem | Mike Kai Chen/Wikimedia Commons
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A cada dia que passa, nos aproximamos de uma melhor compreensão do nosso próprio cérebro, mas também de algo ainda mais empolgante: a capacidade de repará-lo. A neurociência é uma área crucial porque conecta biologia, saúde e comportamento para melhor compreendermos os seres humanos, e nos últimos anos temos desenvolvido ferramentas que nos permitem alcançar lugares antes inacessíveis. A Neuralink e as alternativas chinesas são um exemplo, mas agora pesquisadores da Universidade Duke adotaram uma abordagem diferente: reprogramar circuitos cerebrais.

A chave é um "fio" biológico.

Em resumo

Há alguns dias, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Duke publicaram um estudo na revista Nature apresentando o LinCx. LinCx significa "Integração de circuitos a longo prazo usando conexinas", e por trás desse nome um tanto complexo está algo que atua como um atalho biológico para reparar vias neurais danificadas.

Até então, existiam alguns medicamentos que podiam agir em populações de células, bem como estimulação elétrica e técnicas optogenéticas, mas o que os pesquisadores propõem com o LinCx é uma maneira de criar sinapses elétricas artificiais com muita precisão e sem qualquer estimulação externa. Dessa forma, em vez de afetar grandes populações de células, os autores podem examiná-las de perto e decidir quais conexões serão feitas com base nas necessidades de cada pessoa.

Como funciona

A base do LinCx é um peixe, especificamente a perca americana (Morone americana). A equipe construiu a estrutura a partir das proteínas conexinas encontradas naturalmente neste peixe, que utiliza sinapses elétricas para a comunicação rápida entre as células. A partir dessas proteínas, a equipe projetou duas moléculas, cada uma das quais se liga apenas ao seu parceiro e não a proteínas cerebrais naturais.

É por isso que elas conseguem ajustar com precisão as células às quais se conectam, evitando conexões indesejadas e formando esse "cabo" (entre aspas) que permite a ocorrência de sinapses. Os pesquisadores definem isso como "conexões elétricas precisas em nível celular".

Testes

Até o momento, não foram testados em humanos, mas foram testados em camundongos e vermes nematóides. Nos vermes, a instalação desses conectores alterou o comportamento de busca de temperatura que eles usam para regular a temperatura corporal. Nos camundongos, os pesquisadores se concentraram em reorganizar circuitos específicos para medir tanto a interação social quanto a resposta ao estresse.

Ainda por vir

Como dissemos, este é um grande avanço no campo da neurociência porque, ao contrário dos medicamentos, esse LinCx conecta apenas os neurônios que devem se conectar. É como mirar com precisão em vez de disparar uma espingarda. No entanto, embora os resultados sejam promissores, os testes foram muito limitados a animais, e o próximo passo é estabelecer se o LinCx pode ser a resposta para reverter os déficits sinápticos em distúrbios de origem genética.

Este é o próximo passo na pesquisa e, se os resultados forem positivos, poderá aproximar essa tecnologia do uso em humanos. Sem dúvida, é promissor, pois é a primeira vez que existe uma ferramenta para controlar com precisão a comunicação entre células muito específicas, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Imagem | Mike Kai Chen/Wikimedia Commons

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