O fundo de investimento de Harvard decidiu comprar Ethereum no ano passado e três meses depois, vendeu tudo. Ao mesmo tempo, continuou a reduzir sua posição em Bitcoin, que também vem diminuindo trimestre a trimestre desde que atingiu seu pico histórico em meados de 2025. A instituição, que vinha investindo cada vez mais em criptomoedas há vários anos, vivenciou em primeira mão como o cenário mudou em um curto período.
Movimentação
O fundo de investimento de Harvard, conhecido como Harvard Management Company, revelou em seus últimos registros junto à SEC que liquidou completamente sua posição no ETF Ethereum da BlackRock durante o primeiro trimestre de 2026. A posição, avaliada em cerca de US$ 86,8 milhões, durou pouco mais de um trimestre. Na época da compra, o fundo havia se tornado o maior novo comprador de Ether da BlackRock, como afirmou o analista da Bloomberg, James Seyffart, à Fortune.
Ao mesmo tempo, Harvard também reduziu sua posição no ETF Bitcoin da BlackRock (IBIT) em 43%, deixando-a em aproximadamente US$ 117 milhões. Este é o terceiro trimestre consecutivo em que suas participações em criptomoedas diminuíram.
Por que isso importa
Harvard não é uma universidade qualquer quando se trata de investimentos. Seu fundo patrimonial (o fundo de investimento permanente da universidade) é o maior do mundo, e muitos acompanham de perto seus movimentos. Seu investimento em Ethereum (e sua rápida saída dele) oferece pistas sobre como as instituições enxergam essa criptomoeda.
A questão é que o Ethereum tem algo que o Bitcoin não tem: sua rede pode hospedar aplicações financeiras. Teoricamente, isso deveria torná-lo mais atraente, mas os números contam uma história diferente: o preço do Ethereum caiu 29% este ano, em comparação com a queda de 12% do Bitcoin, e nos últimos cinco anos, o Bitcoin teve um desempenho claramente superior ao do Ethereum.
Em detalhes
A história de Harvard com criptomoedas começa no segundo trimestre de 2025, quando a universidade comprou 1,9 milhão de ações do ETF IBIT da BlackRock por aproximadamente US$ 116,7 milhões, tornando o Bitcoin sua maior posição em ações listadas, superando até mesmo a Nvidia e a Alphabet.
O pico ocorreu no terceiro trimestre de 2025, com US$ 442 milhões no ETF de Bitcoin. A partir daí, a tendência de queda, com uma redução de 21% no quarto trimestre, uma entrada simultânea no Ethereum com US$ 87 milhões e, no primeiro trimestre de 2026, uma saída completa do Ether e um corte adicional de 43% no Bitcoin.
A saída do Ethereum em um único trimestre sugere que foi uma estratégia que, em última análise, não convenceu. O portfólio de ações listadas de Harvard consiste em apenas 16 posições, o que representa uma pequena fração de seu patrimônio total de US$ 57 bilhões.
Sua maior posição atualmente é a TSMC, com cerca de US$ 232 milhões, seguida pelo ouro, com quase US$ 200 milhões. Eric Balchunas, analista de ETFs da Bloomberg Intelligence, disse à Fortune que os fluxos para ETFs de Bitcoin permanecem relativamente resilientes, apesar da queda de 2026. Especificamente sobre a posição de Harvard, ele observou que, considerando seus muitos outros ativos que tiveram bom desempenho, "absorver perdas em Bitcoin pode ser mais administrável, com a esperança de uma recuperação". Ele também destacou que os fundos patrimoniais são "as instituições mais difíceis de convencer" a investir em ETFs, o que torna a entrada e a saída desses investimentos ainda mais relevantes.
ETFs em outras universidades
Entre outras universidades, o cenário é diferente. Dartmouth manteve sua posição no IBIT inalterada durante o primeiro trimestre e aumentou sua exposição a criptomoedas com um novo investimento no ETF Solana da Bitwise, tornando-se uma das primeiras universidades americanas a fazê-lo. A Universidade Brown também manteve sua posição no IBIT. Harvard, por enquanto, está seguindo na direção oposta.
E agora?
A estratégia de Harvard em relação a criptomoedas também pode ser influenciada por um fator interno. N.P. Narvekar, diretor do fundo patrimonial desde 2016 e arquiteto de sua mudança para ativos alternativos, informou ao conselho sua intenção de se aposentar, possivelmente até o final de 2027, segundo o Wall Street Journal. Ainda não há uma busca aberta por um sucessor, mas esse fator pode explicar por que Harvard está se desfazendo de algumas de suas posições mais arriscadas.
Imagem | DrawKit Illustrations e Somesh Kesarla Suresh
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