Alguém analisou as temperaturas sob o Pacífico e se deparou com uma previsão terrível para o próximo ano

Um mar que de “Pacífico” só tem o nome

El Niño
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Relato original de Javier Jiménez, do Xataka Espanha

Em 1º de setembro de 1513, à beira do desespero, Vasco Núñez de Balboa partiu de Santa María la Antigua del Darién em busca de “um novo mar rico em ouro”. Levou semanas e perdeu dezenas de homens, mas, em 29 de setembro daquele mesmo ano, tornou-se o primeiro europeu conhecido a chegar às margens do Mar do Sul. Ainda o chamávamos assim.

Sete anos depois, Fernão de Magalhães (que saía daquele enorme e labiríntico inferno de canais, ventos e tempestades que chamamos de Terra do Fogo) o batizou de Pacífico e o nome acabou ficando.

Mas de pacífico ele não tem nada. Esse enorme trecho de água concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica do planeta, gera os tufões mais violentos e abriga algumas das tempestades extratropicais mais severas que existem.

E ainda tem o El Niño.

O que está acontecendo com o El Niño?

Há meteorologistas que já descrevem o calor subsuperficial do Pacífico equatorial como “possivelmente a massa de anomalias quentes mais impressionante já registrada desde que sabemos medir essas coisas”.

Isso não é um “exagero” de divulgação científica: o calor que está se deslocando para o leste sob o Pacífico tropical é, em volume e intensidade, comparável ou até superior ao que antecedeu os grandes eventos de El Niño de 1997-98 e 2015-16.

Mais do que isso, esse calor está se movendo por um planeta que já está 1,4 grau acima do nível pré-industrial.

Isso é extremamente preocupante. Em primeiro lugar porque o invisível importa mais do que aquilo que podemos ver. Na verdade, “o que podemos ver” (o que conseguimos medir na superfície do oceano) é simplesmente um trailer do que veremos nos próximos meses.

É verdade que os mecanismos que permitem o acoplamento entre o oceano e a atmosfera continuam sendo misteriosos, e a incerteza é grande. Ainda assim, conforme saímos da primavera — a época que mais “confunde” os modelos —, a qualidade dos nossos dados melhora.

O problema é que esses novos dados apenas corroboram, pouco a pouco, nossas primeiras intuições.

Isso dito, a cautela é necessária. Tanto o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo quanto a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica pedem cautela e, sim, é importante sermos cautelosos. Em um mês, o cenário de termos um El Niño antes do verão de repente se tornou muito provável, e esse aumento nas probabilidades pegou todo mundo de surpresa. Como consequência, a conversa pública está saindo do controle.

Mas, na realidade, estamos em um território completamente desconhecido. O problema de não haver precedentes é que avançamos às cegas na escuridão. Isso se estivermos avançando.

Hoje, porém, há uma coisa clara: assim como no século 19, o que acontecer dependerá das decisões que tomarmos.

Imagem | Alex Boreham

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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