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As vendas da BYD caíram 41% na China; é o maior sinal de que algo muito mais grave está acontecendo em sua indústria

O mercado chinês parece estar desacelerando. E a BYD não é a única empresa que está sentindo isso

BYD na China
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A BYD registrou uma queda de 41% nas vendas na China em fevereiro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O dado foi divulgado pelo site CarNewsChina, que também aponta que o resultado representa uma redução de 9,5% em comparação com janeiro passado, o que não convida ao otimismo.

O veículo destaca que essa queda coincide com um Ano Novo Chinês que, em 2026, dividiu completamente o mês de fevereiro. São dias em que as vendas inevitavelmente caem porque os cidadãos estão imersos na maior migração anual do mundo — e, neste ano, o período festivo foi um dos mais longos dos últimos tempos.

Em 2025, essas festividades ocuparam os últimos dias de janeiro, o que permitiu que, no restante do mês, as vendas ganhassem ritmo, acentuando assim a comparação negativa atual.

A guerra de preços

As baixas vendas da BYD são agravadas por um mercado local que está estagnado. Para continuar estimulando as vendas, BYD, Tesla e Xiaomi estão oferecendo financiamentos com prazos de até sete anos. Algo comum no Brasil, mas uma raridade que está se consolidando na China — e que deixa claro outro detalhe: não há margem para continuar reduzindo os preços.

Já em janeiro, a Associação de Automóveis de Passageiros da China adiantou que as vendas haviam caído 13,9% em relação ao mesmo mês de 2025. A situação era ainda mais complicada entre os veículos “de nova energia”, como são chamados os híbridos plug-in, elétricos e elétricos com extensor de autonomia. Nesse caso, a queda chegou a 20%.

Evidentemente, para BYD, Tesla e Xiaomi — que oferecem apenas carros elétricos ou plug-in, no caso das duas primeiras —, a situação é ainda mais delicada.

Uma saída quase obrigatória

A exportação tornou-se para a BYD uma alternativa praticamente inevitável. Embora suas vendas tenham caído no mercado local, as exportações superaram as 100 mil unidades — o que representa um crescimento de mais de 50%. E já são quatro meses consecutivos com envios nesse volume, segundo o CarNewsChina.

Embora o avanço da BYD tenha sido lento na Europa até pouco tempo atrás, em 2025 a empresa cresceu 270% no continente. Janeiro também foi positivo (sua posição foi quase triplicada em relação a janeiro de 2025, segundo o El Periódico de la Energía), o que reforça uma estratégia baseada em oferecer mais por menos dinheiro dentro do segmento de veículos plug-in.

Na Espanha, um dos países mais importantes para a BYD neste momento fora da China, a empresa colocou dois carros elétricos entre os 10 mais vendidos no acumulado do ano e outros dois entre os cinco híbridos plug-in mais vendidos.

O que está claro é que, em 2026, as vendas de carros não conseguem engrenar na China. O The New York Times destaca a queda no preço das ações da empresa, que perdeu parte do apoio dos investidores.

Mas o problema vai além da sede da marca. Mike Smitka, da Washington and Lee University, afirma ao veículo estadunidense que, segundo seus cálculos, 40% da produção de veículos da China não está sendo utilizada.

Não é a primeira vez que se fala em sobreprodução chinesa de automóveis. As constantes evoluções dos produtos tornaram obsoletos modelos lançados apenas alguns meses antes, pressionando ainda mais a guerra de preços. E, com um país produzindo carros em excesso e promovendo atualizações em ritmo vertiginoso, faz sentido que o consumidor adie a compra, esperando um carro melhor por um preço mais baixo no curto prazo.

Foto | EEYAUT Waihung (Wikimedia)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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