A CATL iniciará a produção em massa de baterias de sódio em 2026; seu objetivo: alcançar uma autonomia de 600 km

  • Fabricante de baterias se prepara para abrir linha de produção paralela, esperançosamente levando a carros elétricos mais baratos;

  • A química do sódio será a rival direta dos LFPs de entrada

Imagem de capa | CATL
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Fabrício Mainenti

Redator

A maior fabricante de baterias do mundo definiu uma data para a transição definitiva para baterias de íon-sódio, uma tecnologia que há anos promete destronar as baterias de íon-lítio no mercado de entrada.

Wu Kai, cientista-chefe da CATL e membro da Academia Chinesa de Engenharia, confirmou no Fórum Equipment Powerhouse, realizado em 30 de maio, que os problemas de fabricação que vinham dificultando a produção foram finalmente resolvidos, segundo o portal de notícias chinês Sina. O objetivo é alcançar uma autonomia de 600 quilômetros com uma única carga.

Por que isso importa

O íon-sódio é muito mais abundante e barato que o íon-lítio, portanto, cada bateria fabricada com essa tecnologia reduz a dependência de uma matéria-prima escassa e volátil. Para os consumidores, isso pode se traduzir em preços mais acessíveis para veículos elétricos, justamente no segmento atualmente dominado pelas baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP).

No entanto, para a CATL, essas baterias têm o objetivo de competir com as baterias LFP de entrada, e não de substituí-las no segmento premium.

Em detalhes

A empresa não pretende limitar o uso de sódio a um único produto. Seus planos visam integrá-la em carros de passeio, veículos comerciais, redes de troca de baterias e infraestrutura de armazenamento de energia.

As primeiras versões serão para carros econômicos e sistemas de armazenamento, enquanto a empresa desenvolve simultaneamente células de maior densidade para se aproximar da autonomia de 600 km atualmente reservada para configurações mais caras.

Essa notícia surge após um marco recente, no qual a CATL garantiu um contrato de fornecimento de 60 GWh, o maior pedido de baterias de sódio do mundo até o momento, segundo a CarNewsChina.

Concorrência

Tudo isso acontece enquanto a CATL domina a concorrência nas químicas de baterias tradicionais. De acordo com dados da China EV DataTracker, até abril de 2026, a empresa havia instalado 29,06 GWh de baterias para veículos elétricos, o que lhe conferia uma participação de 46,6% no mercado interno.

Desse volume, quase 19,53 GWh eram de baterias LFP e 9,53 GWh eram de baterias ternárias de níquel-manganês-cobalto. O sódio não substitui essas linhas de produção, mas sim abre uma rota de produção paralela.

Nas entrelinhas

Vale lembrar a origem disso. A CATL já apresentou sua linha de baterias de sódio Naxtra, com uma versão para carros de passeio que atingiu 175 Wh/kg de densidade energética, a maior já registrada para essa química, segundo a própria empresa, até 2025, prometendo uma autonomia de cerca de 500 km e mais de 10 mil ciclos de carga.

Além disso, o sódio oferece uma vantagem em termos de segurança, já que, ao eliminar materiais propensos à combustão, reduz o risco de incêndio em comparação com outras químicas.

E agora?

O sódio é apenas a parte que chegará em breve. Olhando para o futuro, a CATL já está direcionando suas pesquisas para baterias de lítio-ar, que utilizam o oxigênio do ar como reagente e prometem densidades energéticas muito superiores às dos sistemas atuais, sejam eles de eletrólito líquido ou de estado sólido. Teremos que aguardar mais informações sobre isso.

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