Pensávamos que erva-de-gato era a “droga” favorita dos bichanos, mas há outra planta que eles gostam ainda mais

O fato de se esfregar nessas plantas não é simplesmente recreativo: há um motivo evolutivo por trás disso

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Os gatos adoram erva-de-gato (ou catnip), basta ver as prateleiras de qualquer pet shop cheias de brinquedos com isso. Eles cheiram, mordiscam, se esfregam no chão e até babam, como se entrassem em uma espécie de transe. Achávamos que essa erva era a “droga” favorita dos nossos felinos, mas pesquisadores descobriram que existe outra planta que os atrai ainda mais: o matatabi (também conhecido como videira-prateada ou silvervine).

Um grupo de pesquisadores japoneses combinou três testes: gatos soltos em um jardim com plantas frescas, gatos soltos com um bloco impregnado com o extrato de ambas as plantas e gatos em cativeiro com papéis impregnados. Os pesquisadores registraram em vídeo os episódios de autoesfregamento, que é quando os gatos se esfregam e começam a “rolar” perto das diferentes plantas.

Todos os grupos de gatos que participaram do experimento mostraram uma clara preferência pelo matatabi. No caso dos gatos soltos que tinham acesso tanto às plantas quanto ao bloco impregnado, quase todos os episódios de autoesfregamento ocorreram com o matatabi. Entre os gatos em cativeiro, 15 responderam apenas ao matatabi, três a ambos e três apenas cheiraram um pouco, mas não chegaram a se esfregar.

O curioso é que a análise química revelou que a erva-de-gato era muito mais potente (contém muito mais nepetalactona) do que o matatabi, mas, ainda assim, os gatos tiveram uma preferência clara pela segunda planta. Masao Miyazaki, líder do projeto, afirma na Phys.org que “poderia-se esperar que uma planta que contém mais compostos ativos e que claramente funcionam em testes de laboratório desencadeasse uma resposta comportamental mais forte em condições de livre escolha. Mas não foi isso que observamos”.

A teoria da sobrecarga olfativa

A hipótese dos autores é que a erva-de-gato, especialmente quando fresca, libera uma quantidade excessiva desses compostos e faz com que o cheiro seja intenso demais. Por isso, os gatos prefeririam o matatabi por ser mais suave. Isso combina com uma anedota registrada em O Dicionário dos Jardineiros, publicado em 1789, que observa que os gatos preferiam a erva-de-gato quando estava murcha, em vez de fresca — o que reforça a ideia de que o excesso de compostos pode saturar seus sentidos.

O fato de os gatos se esfregarem nessas plantas não é simplesmente para “ficarem chapados”: também existe um propósito evolutivo. Esse comportamento atua como um mecanismo de defesa contra mosquitos e outros parasitas. Ao esfregar a face e o corpo nas plantas, eles se impregnam das substâncias (iridoides) liberadas por elas, que funcionam como repelente de insetos.

A razão pela qual preferem o matatabi pode ser explicada pelo fato de ele oferecer uma proteção mais confiável, já que produz uma mistura mais complexa de iridoides, especialmente quando os gatos mordiscam a planta. Ou seja, ele funciona muito melhor como repelente de mosquitos.

Imagem | Sergey Dvorkin (Pexels)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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