Os parques de painéis fotovoltaicos atraem pássaros e insetos, restaurando parte da biodiversidade — e agora, a ciência sabe o porquê

Os novos sistemas "conservoltaicos" demonstram que a energia limpa pode reparar os danos históricos causados pela agricultura intensiva

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

2025 publicaciones de Victor Bianchin

Passamos anos ouvindo que a expansão dos parques solares era uma ameaça o campo. A imagem mental que costumamos ter é a de hectares e hectares de painéis escuros sob um sol implacável, devastando a paisagem e sem um único pássaro em quilômetros ao redor. No entanto, os dados começam a contar uma história radicalmente diferente.

Para entender esse fenômeno, basta olhar para os dados mais recentes da Espanha. Segundo um relatório da União Espanhola Fotovoltaica (UNEF), validado pela consultoria ambiental independente EMAT, os campos fotovoltaicos estão demonstrando ser refúgios repletos de vida. Após analisar diferentes instalações em 2025, o padrão se repete: dentro do parque há mais espécies do que no campo agrícola vizinho.

Os números em três províncias distintas não deixam dúvidas:

  • Minglanilla (Cuenca): os pesquisadores contabilizaram um total de 32 espécies de aves dentro da usina solar, contra 19 encontradas na área agrícola de controle localizada logo do lado de fora.
  • Revilla Vallejera (Burgos): o levantamento registrou 39 espécies no interior da instalação, frente a 34 no exterior.
  • Trujillo (Cáceres): foram detectadas 31 espécies vivendo entre os painéis, contra 25 fora deles.

Não se tratam apenas de aves comuns. Foi documentada a presença de espécies protegidas ou em declínio como o alcaravão, o sisão, a rolieira-europeia, o mocho-galego e o peneireiro-das-torres. E a cadeia alimentar faz sua mágica: à medida que a vegetação silvestre cresce, chegam os insetos; com os insetos, chegam os pássaros. A abundância dessas presas está atraindo aves de rapina como águias, abutres, falcões e corujas.

Para entender por que isso está acontecendo, é preciso mudar o ponto de referência. A pergunta não é se um parque solar é ecologicamente melhor do que uma floresta virgem, porque evidentemente não é. A chave está em compará-lo com o que existia antes naquele terreno. Na imensa maioria dos casos, esses campos eram áreas de agricultura intensiva: paisagens empobrecidas, tratadas com herbicidas e profundamente silenciosas. Em comparação com isso, a instalação de um parque solar cria, na prática, uma zona de exclusão ecológica.

Em outras palavras, não são utilizados pesticidas nem herbicidas, a caça é proibida e não há revolvimento do solo. Além disso, a presença humana fica limitada a visitas muito pontuais de manutenção. Como destaca Martín Behar, essa ausência de produtos químicos, somada a uma gestão natural da vegetação por meio do pastoreio extensivo, está gerando resultados fantásticos para a biodiversidade.

Em outras partes do mundo

Em nível internacional, o que a ciência começa a chamar de sistemas "conservoltaicos" (a união entre geração de energia renovável e conservação ativa) também tem outros exemplos.

No Reino Unido, um estudo liderado pela RSPB e pela Universidade de Cambridge analisou seis parques solares em East Anglia. A conclusão foi que eles abrigavam uma maior diversidade de aves do que as áreas agrícolas vizinhas. Nos locais mais bem administrados — com cercas-vivas não podadas e vegetação diversificada — foram encontradas quase três vezes mais aves do que nos campos ao redor.

Mas talvez a história mais curiosa venha da Austrália. Um estudo da Lightsource bp acompanhou durante três anos 1.700 ovelhas merinas. Metade vivia em campos de pastagem tradicionais e a outra metade entre painéis fotovoltaicos. A descoberta surpreendeu a todos: as ovelhas que pastavam no parque solar produziam lã de melhor qualidade. O motivo é que o microclima sob os módulos permitia que elas alternassem entre forragem fresca, pasto seco e feno várias vezes ao ano, algo inviável em um pasto convencional exposto ao sol pleno.

Não basta instalar os painéis e cruzar os dedos. Os próprios pesquisadores alertam para algo fundamental: o fato de os parques solares poderem beneficiar o ecossistema não significa que isso aconteça automaticamente. Não basta instalar os painéis e esperar.

Se você se limitar a cortar a grama rente ao solo e manter um "habitat simples", não haverá milagre. Para que a mágica aconteça, é necessária uma gestão ativa: manter coberturas vegetais, utilizar vegetação nativa nas áreas periféricas, criar corredores ecológicos e apostar em ovelhas como cortadores de grama naturais. Para incentivar a indústria a seguir nessa direção, a União Espanhola Fotovoltaica criou um Selo de Excelência em Sustentabilidade, elaborado em conjunto com especialistas da WWF e da SEO/BirdLife.

Imagem | Pexels

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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