Com o início da guerra tecnológica entre EUA e China, a Huawei recebeu uma missão: tornar-se a líder das empresas de tecnologia chinesas. Após alguns primeiros anos difíceis, que foram como uma peregrinação pelo deserto, a companhia chinesa voltou com força. Não só recuperou a liderança na China, como também deu passos para se tornar a alavanca da indústria.
Agora, a empresa apresenta um chip para inferência que, segundo afirma, é mais potente que a alternativa da Nvidia.
No âmbito da Conferência Anual de Parceiros, a empresa voltou a apresentar a plataforma Atlas 350 (já havia sido anunciada no Huawei Connect 2025 em setembro passado). Trata-se de uma placa que utiliza a versão mais recente de seu processador Atlas 950PR e que, segundo dados da empresa, apresenta uma melhora de 2,8 vezes no desempenho de inferência em relação à concorrência. Essa concorrência é o chip H20, uma versão limitada que era a que a Nvidia tinha permissão para vender na China.
É uma plataforma focada em movimentação rápida de dados, o que permite que seja ideal para altas cargas de trabalho em tarefas como recomendações de busca, geração multimodal e uso de modelos de linguagem em larga escala. Trata-se, portanto, de uma aceleradora, uma peça de hardware dedicada a uma tarefa muito específica — e que é excelente no que faz dentro de um servidor.
Inteligência artificial
Para treinar a IA, a China tem outras armas, algumas da própria Huawei, mas esta Atlas 350 serve para cumprir o objetivo da indústria chinesa de tornar as ferramentas de IA acessíveis e monetizáveis o quanto antes. De fato, no evento foi confirmado que já existem parceiros lançando servidores construídos com a Atlas 350 como núcleo. E aqui está o dado realmente relevante.
A Huawei não está apenas apresentando novidades: está anunciando que já tem parceiros lançando produtos com essa nova tecnologia. Porque a ideia é que cada novidade em hardware comece a ser distribuída e implementada o quanto antes entre empresas chinesas que fazem parte do ambicioso plano quinquenal de soberania tecnológica.
Há meses, a empresa vem se movimentando para se posicionar como a alavanca do restante da rede tecnológica chinesa, com NPUs, hardware de dissipação, placas padrão para IA, placas-mãe e “outras formas diferentes de hardware para facilitar o desenvolvimento de clientes e parceiros”. No evento, foi destacado que “enquanto a primeira metade da era da inteligência artificial se concentrou no poder de computação, a segunda será definida pelos dados”.
E é justamente nessa inferência que a Huawei quer oferecer toda a sua infraestrutura para se tornar uma peça indispensável do ecossistema. Porque a China, dentro de seu grande plano de futuro, está disputando para se tornar uma potência não apenas na IA que conhecemos, mas também na inteligência artificial física, nos robôs e nas redes 6G — área na qual a Huawei também está na liderança.
Suficiente?
Essa é a grande pergunta, e é possível que a resposta não dependa tanto da potência bruta quanto do ecossistema. Se todo mundo usa placas da Nvidia para o treinamento (na inferência vemos que, pouco a pouco, cada um está seguindo seu próprio caminho), é para elas que o software e os processos são otimizados. E as empresas chinesas mais avançadas querem o hardware da Nvidia para se equiparar ou até mesmo superar as rivais estadunidenses.
Isso tem sido um verdadeiro drama, com a Nvidia pressionando Trump para que permita a venda das H200 na China, conseguindo isso mediante uma tarifa de 25% sobre essas compras e, depois, com a China enviando sinais contraditórios. No próximo dia 31 de março, haverá uma reunião em Pequim entre Trump e Xi Jinping e está previsto que os controles de exportação — e a questão da Nvidia — sejam colocados sobre a mesa.
E alguém que estará observando essa reunião com atenção é a Huawei. Porque a China está, neste momento, em uma encruzilhada: sabe que suas empresas pedem chips da Nvidia, mas, ao mesmo tempo, não quer depender de tecnologia estrangeira.
Imagens | Huawei
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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