Aos 18 anos, o estudante Jhonata Lima Silva, aluno da 3ª série do Ensino Médio em Teresina, no Piauí, foi contratado pela Kodland, uma multinacional com sede em Moscou especializada no ensino de programação.
Desde janeiro de 2026, o jovem passou a ensinar programação para adolescentes de 12 a 17 anos em aulas remotas para estudantes de todo o Brasil, conciliando a rotina escolar com o trabalho.
Estudante foi contratado após processo seletivo online
A contratação de Jhonata Lima Silva aconteceu depois que o jovem se candidatou a uma vaga divulgada pela empresa. Ele encontrou a oportunidade por meio da internet, criou um perfil profissional e passou por um processo seletivo com testes técnicos e avaliações de didática.
Segundo o estudante, o portfólio com projetos desenvolvidos durante o ensino médio foi decisivo para a aprovação.
“Acredito que os projetos que desenvolvi fizeram diferença. Compartilhei tudo no meu perfil, junto com as competições de que participei”, explicou.
Após a aprovação, Jhonata assinou um contrato de dois anos com a empresa e começou a trabalhar em janeiro de 2026. Atualmente, ele concilia a rotina escolar com as aulas online, que acontecem principalmente no período noturno.
No trabalho, o estudante atua como professor e ensina adolescentes entre 12 e 17 anos de todo o Brasil. Ele ministra aulas de lógica de programação e linguagens como Python e Scratch, utilizando projetos práticos e desenvolvimento de jogos simples para facilitar o aprendizado.
“Fiz os testes e fui aprovado. Hoje tenho flexibilidade para dar aulas à noite e consigo organizar bem os horários. Tudo o que ensino hoje sobre programação aprendi na escola”, contou.
Atualmente, o Jhonata é responsável por quatro turmas e já ensina alunos de diferentes regiões do país, trabalhando de forma totalmente remota a partir do Piauí.
Estudante começou a aprender programação no ensino médio
O primeiro contato com a tecnologia aconteceu ainda no início do Ensino Médio, quando Jhonata começou a estudar programação por meio do curso técnico em Programação de Jogos Digitais oferecido pela escola.
Ao longo do período, o estudante participou de projetos e competições, além de desenvolver o jogo educativo “Polyglot”, criado com colegas de turma. O projeto utiliza inteligência artificial para ensinar idiomas e corrigir a pronúncia dos usuários e chegou a ser apresentado em Brasília.
Segundo o jovem, essas experiências ajudaram a construir o portfólio que chamou a atenção da empresa. “Compartilhei tudo no meu perfil, junto com as competições de que participei. Isso fez diferença”, afirmou.
Ensino público e técnico impulsionam trajetória
Natural de Pedro II e atualmente morando em Teresina com a mãe e três irmãos, Jhonata afirma que o ensino público teve papel decisivo em sua trajetória.
Segundo dados do Censo Escolar 2025, o Piauí ocupa o primeiro lugar no país em matrículas de Ensino Médio em tempo integral. Atualmente, 81% dos alunos estão nessa modalidade e 68,8% cursam formação técnica integrada.
De acordo com o secretário estadual de Educação, Rodrigo Torres, trajetórias como a de Jhonata mostram o impacto do investimento em educação pública.
“O Jhonata é a prova de que a escola pública de Tempo Integral, aliada ao ensino técnico e à inovação, transforma realidades. Ele aprendeu programação dentro da escola e hoje trabalha para uma multinacional sem sair do Piauí”, disse o secretário.
Foto de capa: Reprodução/SEDUC Piauí
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