Jovem brasileiro de 17 anos consegue o impossível com a SpaceX e muda a vida de 14 mil alunos na Amazônia com antenas da Starlink

Com apoio de parceiros e tecnologia via satélite, projeto pretende encerrar o isolamento digital de 14 mil alunos em municípios remotos

Estudantes em sala de aula na Amazônia. Créditos: ShutterStock
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Um estudante brasileiro de 17 anos conseguiu o que parecia impossível: viabilizar a doação de 140 antenas da Starlink para escolas públicas no interior do Amazonas após entrar em contato direto com a SpaceX por email. A iniciativa, que começou com um pedido de apenas 10 equipamentos para unidades de ensino em Manicoré (AM), ganhou proporções muito maiores ao longo das negociações. O projeto agora prevê a conexão de cerca de 140 escolas na região amazônica, e a estimativa é de que aproximadamente 14 mil estudantes sejam beneficiados com acesso à internet de alta velocidade.

Jovem de 17 anos envia email a SpaceX solicitando a doação de antenas Starlink

Eric Bartunek, um estudante de apenas 17 anos, tinha um objetivo modesto com a SpaceX: pedir a doação de 10 antenas da Starlink para ajudar escolas isoladas no Amazonas. O que ele não esperava era receber uma resposta da empresa de Elon oferecendo muito mais do que isso. 

A iniciativa, no entanto, começou a tomar forma bem antes desse contato. Em 2022, durante uma visita à cidade de Sobral, no Ceará, junto com a Fundação Lemann, Eric conheceu um modelo de educação pública que o surpreendeu pela infraestrutura, engajamento dos alunos e participação da comunidade. O que mais chamou a atenção do jovem foi perceber que estudantes da rede pública, em uma cidade de porte médio do interior nordestino, tinham acesso a um currículo estruturado e um desempenho acadêmico comparável ao de escolas privadas de grandes capitais. Não é à toa que o município se consolidou como referência nacional em educação pública.

Impactado com esses resultados consistentes do município em avaliações educacionais, Eric decidiu que queria levar parte daquela realidade a regiões mais vulneráveis do país. E foi justamente dessa inquietação que nasceu a ideia de buscar soluções para enfrentar o isolamento digital na Amazônia. Ao pesquisar os principais obstáculos da educação pública, encontrou um problema muito comum no Norte do país: a falta de conexão adequada com a internet. 

Com isso, Eric teve uma ideia ousada: entrar em contato com à SpaceX para viabilizar o acesso à Starlink nas escolas da região. A proposta parecia improvável para um estudante de apenas 17 anos, mas ele decidiu tentar. Com o apoio do pai, Florian Bartunek, Eric conseguiu chegar a um contato ligado à empresa por meio de um fundo de investimento e, a partir daí, iniciou as conversas que acabaram no pedido formal de doação das antenas.

A resposta, porém, não foi imediata. A primeira tentativa de contato não teve retorno, mas ele optou por insistir e reforçar a proposta. Nesse intervalo, a empresa estruturava o programa Starlink for Good, uma iniciativa voltada à doação de antenas para escolas e hospitais, até então concentrada em países da Ásia e da África. O alinhamento entre o projeto do estudante e a nova frente social da companhia abriu espaço para que a proposta avançasse, e o pedido inicial de 10 antenas fosse ampliado para 140.


140 escolas conectadas e o fim do isolamento digital

Antena Starlink A antena da Starlink capta sinal de satélites em órbita e distribui a conexão via roteador, eliminando a necessidade de cabos ou fibra óptica na região. Créditos: shutterstock

Em um mundo em que serviços básicos, comunicação, ensino e até atendimentos de saúde dependem da internet, é difícil imaginar a rotina de comunidades que ainda vivem “desconectadas”. No entanto, essa é uma realidade persistente em diversos municípios brasileiros, especialmente em áreas remotas da região Norte, mas também em outras partes do mundo.

Essa realidade tem tudo a ver com a escolha estratégica de Eric pela Starlink. Diferentemente da internet tradicional, que depende de cabos, fibra óptica e uma infraestrutura complexa, a conexão via Starlink funciona por meio de satélites, levando o sinal diretamente às antenas instaladas nas escolas. Isso transforma a tecnologia em uma solução viável para localidades da Amazônia onde a infraestrutura convencional é limitada ou inexistente. 

As primeiras instalações começaram em Manicoré (AM), com Eric acompanhando pessoalmente o processo, incluindo deslocamentos de barco até as escolas. A expectativa é que todas as unidades contempladas estejam conectadas até o fim de fevereiro, seguindo o cronograma estabelecido para a implementação das antenas na região. Os equipamentos e o custeio do primeiro ano de mensalidade serão financiados pela própria Starlink e por doações articuladas por Eric.


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