Pela primeira vez, cientistas conseguem observar ao vivo o nascimento de um magnetar

O espaço guarda muitos mistérios, mas os astrofísicos aos poucos os estão desvendando

Magnetar
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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No vasto catálogo de eventos cósmicos violentos, há explosões — e depois há as supernovas superluminosas, que nada mais são do que o resultado de uma morte estelar. Essas supernovas são capazes de brilhar até 100 vezes mais do que uma supernova convencional, desafiando nossa compreensão da astrofísica, já que não se sabia de onde pode vir tanta energia. Agora, começamos a ter uma ideia.

Um grupo internacional de astrônomos conseguiu observar pela primeira vez o nascimento ao vivo de um magnetar, confirmando de forma conclusiva a ligação entre esses cadáveres estelares altamente magnéticos e as supernovas mais brilhantes do cosmos.

A protagonista dessa descoberta é a SN 2024fav, uma supernova superluminosa do tipo I detectada em 9 de dezembro de 2024 e localizada na constelação de Eridanus, a cerca de 1 bilhão de anos-luz de nós. Não é um fenômeno comum: observar esse evento é como procurar uma agulha em um palheiro intergaláctico.

Como encontrar essa “agulha” é algo muito valioso, a comunidade astronômica mobilizou uma rede de mais de 20 telescópios ao redor do mundo para não perder nenhum detalhe desse monstro brilhante, incluindo a contribuição fundamental do LOCGT. Graças a essa vigilância ininterrupta, os cientistas conseguiram obter os dados observacionais necessários para reconstruir o que estava acontecendo nas profundezas da explosão.

O “chiado relativístico”

A pergunta aqui é bastante clara: como se confirma que há um magnetar dentro dessa bola de fogo em expansão? O primeiro passo é entender o que é um magnetar, que nada mais é do que uma estrela de nêutrons muito densa que possui um campo magnético trilhões de vezes mais forte do que o da Terra. E ele não é estático, pois, ao nascer após o colapso de uma estrela massiva, o magnetar pode girar várias vezes por segundo, alcançando velocidades muito altas.

Para conseguir identificá-lo, os pesquisadores identificaram um fenômeno que chamaram de “chiado relativístico”. À medida que o magnetar recém-nascido gira no centro da supernova, seu imenso campo magnético atua como um freio, transferindo sua colossal energia de rotação para a matéria estelar ejetada, fazendo com que ela brilhe com essa intensidade extrema.

A partir daí, os pesquisadores detectaram precisamente a assinatura temporal desse freio externo. Assim, a curva de luz da SN 2024fav se ajustava perfeitamente à previsão da perda de energia de um magnetar nascente injetando energia na supernova, o que indica que estávamos diante do nascimento de um magnetar.

Essa descoberta não apenas nos permite entender por que certas estrelas se despedem do universo com um brilho ofuscante capaz de eclipsar galáxias inteiras, como também abre uma nova janela para estudar o comportamento da matéria quando submetida a campos magnéticos tão extremos que a física moderna, mesmo em teoria, mal consegue reproduzir.

Imagens | NASA Hubble Space Telescope

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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