Novas drogas psicodélicas prometem tratar um mal do século e sem os inconvenientes efeitos alucinógenos

Tratamentos poderão ser mais efetivos

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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A ciência pode estar prestes a inaugurar uma nova era no tratamento da saúde mental. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis) desenvolveram uma técnica inovadora que utiliza luz ultravioleta para transformar aminoácidos em compostos que imitam o poder curativo das drogas psicodélicas, mas sem causar as intensas alucinações associadas a essas substâncias.

Essas novas moléculas têm como alvo os receptores de serotonina 5-HT2A, os mesmos ativados por substâncias como o LSD ou a psilocibina. Esses receptores são fundamentais para promover a plasticidade cerebral, a capacidade do cérebro de criar novas conexões, e são considerados alvos promissores para tratar depressão profunda, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e dependência química.

A descoberta de um novo caminho terapêutico

Diferente do que ocorre na química medicinal tradicional, onde cientistas costumam apenas modificar moléculas já conhecidas, a equipe da UC Davis conseguiu criar uma estrutura (scaffold) completamente nova. 

O processo envolveu combinar aminoácidos com triptamina e expor a mistura à luz UV, gerando compostos inéditos com alto potencial médico.

Um dos compostos criados, batizado de D5, apresentou resultados surpreendentes. Em modelos computacionais e laboratoriais, o D5 atuou como um "agonista total", o que significa que ele é capaz de desencadear a resposta biológica máxima permitida pelo sistema de receptores 5-HT2A.

Alucinações ausentes

O fato que mais intrigou os cientistas ocorreu durante os testes com animais. Como o D5 ativa intensamente o mesmo receptor que os psicodélicos tradicionais, os pesquisadores esperavam observar comportamentos típicos de alucinação (como movimentos específicos de cabeça em camundongos). No entanto, os animais não apresentaram qualquer resposta desse tipo.

Isso sugere que é possível separar os benefícios terapêuticos dos psicodélicos de seus efeitos sensoriais alterados. "Nossas moléculas podem ativar vias de sinalização ligadas à plasticidade cerebral enquanto suprimem a indução de respostas alucinógenas", explicaram os autores do estudo publicado no Journal of the American Chemical Society.

A remoção do componente alucinógeno é inovadora por vários motivos:

  • Segurança: pacientes poderiam tomar a medicação em casa, sem a necessidade de supervisão constante durante horas de "viagem" psicodélica.
  • Acessibilidade: torna o tratamento viável para pessoas que têm contraindicações a estados alterados de consciência ou histórico de psicose.
  • Escalabilidade: facilita a aprovação regulatória e a adoção pelo sistema de saúde tradicional.

A equipe agora planeja investigar se outros receptores de serotonina no cérebro estão ajudando a bloquear as alucinações no caso do D5. Se os próximos estágios da pesquisa confirmarem esses resultados, o tratamento para doenças mentais severas poderá se tornar tão simples e seguro quanto tomar um antidepressivo comum, mas com a eficácia revolucionária que a medicina psicodélica vem prometendo.

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