As bicicletas elétricas viraram uma febre nas grandes cidades de vários países do mundo. Mais sustentáveis, silenciosas e muito mais práticas para deslocamentos, elas passaram a ocupar cada vez mais espaço nas ruas brasileiras nos últimos anos. Mas, junto da popularização acelerada, outro número começou a disparar: o de acidentes graves envolvendo esses veículos. Só no Rio de Janeiro, os atendimentos relacionados a bicicletas elétricas e outros veículos de micromobilidade quase dobraram em apenas um ano, segundo dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros ao G1.
O problema preocupa especialistas, hospitais e autoridades municipais. O aumento da circulação desses veículos, capazes de atingir até 32 km/h dentro de ciclovias, muitas vezes sem fiscalização, habilitação ou uso de equipamentos de proteção, transformou esse meio de transporte sustentável em uma nova vertente de acidentes graves. Em muitos casos, as colisões terminaram em traumatismos graves, cirurgias e mortes.
Bikes elétricas deixaram de ser tendência sustentável e viraram alerta de segurança nas ruas
Os números mostram que o crescimento dos acidentes deixou de ser algo pontual. De acordo com levantamento divulgado pelo G1, o Corpo de Bombeiros do Rio registrou 318 acionamentos envolvendo bicicletas elétricas e outros dispositivos de micromobilidade elétrica, entre janeiro e outubro de 2025, contra 166 no mesmo período do ano anterior. O maior salto aconteceu nas colisões, que passaram de 143 para 272 casos.
Mas os dados ficam ainda mais preocupantes quando se analisa todo o contexto da micromobilidade. Segundo levantamento da Comissão de Segurança no Ciclismo divulgado pela CNN Brasil, os acidentes envolvendo patinetes elétricos, scooters, bicicletas motorizadas e ciclomotores saltaram de 274 casos em 2023 para 2.199 em 2024 no Rio de Janeiro, um crescimento superior a 700%.
O caso mais emblemático aconteceu recentemente na Tijuca, Rio de Janeiro. Uma mãe de 40 anos, Emanoelle Martins Guedes de Farias, e o filho Chico, de apenas 9 anos, morreram após sofrerem um acidente enquanto estavam em uma bicicleta elétrica na Rua Conde de Bonfim, uma das vias mais movimentadas da região. O episódio marcante trouxe forte comoção e intensificou ainda mais o debate sobre fiscalização, limites de velocidade e regulamentação desses veículos.
Além dos acidentes fatais, hospitais também começaram a registrar um aumento preocupante de internações relacionadas a bicicletas elétricas e veículos autopropelidos. Traumatismos na cabeça, tórax e coluna estão entre os casos mais frequentes atendidos nos hospitais.
O problema não está apenas nos veículos, mas na falta de estrutura e regulamentação
O aumento dos acidentes com bicicletas elétricas começou a transformar ciclovias em pontos frequentes de colisões, atropelamentos e quedas graves
Embora as bicicletas elétricas sejam apontadas como uma solução importante para o meio ambiente e mobilidade urbana, o crescimento acelerado desses veículos aconteceu sem que as cidades acompanhassem essa mudança. Ou seja, sem a infraestrutura adequada e regras claras de circulação.
Grande parte do problema está na mistura entre pedestres, bicicletas normais, bikes elétricas e veículos autopropelidos dentro do mesmo espaço. Em muitos casos, as ciclovias passaram a receber veículos que podem atingir velocidades muito acima das bicicletas normais, aumentando significativamente os risco de colisões.
Outro ponto constantemente criticado é a falta de expansão das ciclovias. Dados divulgados pela CNN Brasil mostram que o Rio construiu apenas 7,73 km de ciclovias em 2023, muito abaixo da meta prevista no Plano CicloRio, que prevê mais de mil quilômetros de malha cicloviária na cidade.
Além disso, há um outro fator que contribui para os casos de acidentes: a ausência de orientação para os ciclistas. Muita gente compra uma bike elétrica e começa a circular nas ruas sem o mínimo de conhecimento sobre regras básicas de trânsito, velocidade segura ou convivência com pedestres.
Fiscalização, sinalização e capacete: as medidas que podem impedir novos acidentes em ciclovias
Com o aumento dos casos de acidentes e mortes, medidas mais rígidas para tentar reduzir os acidentes envolvendo bicicletas elétricas e outros veículos de micromobilidade passaram a ser discutidas pelas autoridades. Entre as principais propostas estão:
- Criação de regras mais claras sobre onde cada tipo de veículo pode circular;
- Definição de limites máximos de velocidade em ciclovias;
- Fiscalização mais intensa;
- Campanhas educativas para novos usuários;
- Ampliação da infraestrutura cicloviária;
- Incentivo ao uso de equipamentos de proteção, como capacetes.
Hoje, bicicletas elétricas e veículos autopropelidos conseguem atingir até 32 km/h e, em muitos casos, não exigem habilitação nem emplacamento. Em contrapartida, os ciclomotores, que chegam a 50 km/h, possuem exigências mais rígidas e não podem circular em ciclovias. Enquanto isso, as prefeituras tentam correr atrás da regulamentação para evitar acidentes. No Rio de Janeiro, está sendo estudado um novo decreto para estabelecer regras mais específicas sobre circulação, fiscalização e punições.
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