Cada pessoa tem seu ritual pré-sono: algumas gostam de assistir uma série, outras de ler um livro, outras de fazer palavras cruzadas, etc. E tem quem guarde seu doce favorito para apreciar pouco antes de dormir, como o bom e velho chocolate. Mas a ciência explica que esse hábito pode não ser muito saudável.
O inimigo não é o açúcar em si, mas o fato de o chocolate ser rico em metilxantinas, alcalóides que estimulam o sistema nervoso central. Há duas que se destacam acima das outras: a cafeína, bastante conhecida, e a teobromina, que é o principal estimulante do chocolate amargo.
As revisões científicas apontam que essas substâncias atuam bloqueando os receptores aos quais a adenosina se liga para exercer seu efeito. A adenosina é a molécula que vai se acumulando em nosso cérebro ao longo do dia para gerar a “pressão do sono”. Se as metilxantinas bloqueiam o ponto em que ela deveria se ligar para agir, o cérebro não recebe o sinal de que está cansado.
Embora seja verdade que a teobromina seja mais “suave” do que a cafeína, sua meia-vida no organismo é prolongada. Isso significa que aquele chocolate das 11 da noite ainda pode estar bloqueando sua vontade de dormir às 2 da manhã, aumentando a latência do sono e provocando mais despertares noturnos.
A importância do horário
Atualmente, a ciência deixou de olhar apenas para as calorias para se concentrar na crononutrição, já que há indícios de que o chocolate influencia os ritmos circadianos dependendo da hora em que é consumido.
Os estudos apontam que o chocolate pode ser um grande aliado para ressincronizar o relógio biológico se for consumido durante a fase ativa pela manhã. Mas comê-lo fora dessa fase, quando o corpo está se preparando para o descanso, dificulta a sincronização dos nossos relógios periféricos. Em resumo, estamos enviando sinais contraditórios ao corpo.
Nem tudo é negativo: também há evidências que relativizam a ideia de que o chocolate provoca insônia, já que, em modelos animais, o cacau pode melhorar certos distúrbios do sono induzidos por estresse crônico.
Isso sugere que, em contextos de alto estresse, os componentes antioxidantes e neuroprotetores do cacau poderiam ajudar a ajustar o ritmo sono-vigília. No entanto, os pesquisadores alertam que esse benefício é observado quando o cacau faz parte da dieta geral, e não necessariamente quando é consumido como uma “bomba” de açúcar e estimulantes pouco antes de apagar a luz.
O efeito do chocolate não acontece da mesma forma para todo mundo, fazendo com que cada pessoa possa vivenciá-lo de maneira diferente, dependendo da quantidade consumida e também da sensibilidade individual. É importante ter em mente que cada pessoa metaboliza essas substâncias em um ritmo diferente, então, para alguns, o consumo pode ocorrer sem que essas moléculas causem qualquer efeito.
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Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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