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Nem baleias enormes, nem lulas gigantes: pesquisadores confirmam a existência de polvo imenso de 19 metros que dominou os oceanos

Estudo revela que um polvo gigante, conhecido como Kraken do Cretáceo, pode ter sido um dos predadores mais temidos dos oceanos

Polvo Gigante Produzido Por Ia
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O reino animal é gigantesco, sendo considerado o maior grupo de seres vivos em diversidade de espécies e complexidade. E se voltarmos há alguns milhões de anos, quando dinossauros ainda existiam e enormes criaturas dominavam os mares, os oceanos eram abrigo de predadores impressionantes - e muitos deles provavelmente passaram despercebidos pela maior parte das pessoas até hoje.

Um grupo de pesquisadores do Museu de História Natural de Londres e da Universidade de Hokkaido revelou, em um estudo publicado na revista científica Science, a existência de um polvo pré-histórico gigantesco que viveu nos oceanos durante o período Cretáceo, entre aproximadamente 100 e 72 milhões de anos atrás. Segundo os cientistas, o animal poderia atingir até 19 metros de comprimento, um tamanho semelhante ao de uma baleia-cachalote adulta, o maior predador com dentes do mundo e o maior carnívoro atual.

Conhecido informalmente entre paleontólogos como o “Kraken do Cretáceo”, o animal foi identificado a partir da análise de 27 fósseis de mandíbulas encontrados no Canadá e no Japão. Segundo os cientistas, trata-se de um dos maiores invertebrados já registrados na história e possivelmente um dos principais predadores dos oceanos durante o período Cretáceo Superior.

Muito antes das baleias gigantes, um “Kraken” já aterrorizava os oceanos

Quando pensamos em grandes predadores marinhos, normalmente imaginamos tubarões assustadores ou baleias gigantes. Mas há milhões de anos atrás, antes do surgimento desses gigantes, outro animal já ocupava o topo da cadeia alimentar dos oceanos: o Nanaimoteuthis haggarti

Essa espécie de polvo gigantesca vivia em um período em que os mares eram dominados por outras criaturas tão assustadoras quanto ele. Répteis marinhos, como é o caso dos mosassauros, podiam ultrapassar 17 metros de comprimento, enquanto plesiossauros de pescoço longo também reinavam em diferentes regiões oceânicas. Ainda assim, o polvo gigante conseguia competir diretamente com esses predadores.

Os pesquisadores acreditam que ele se alimentava de grandes peixes, crustáceos e animais de carapaça rígida. A principal evidência está nas mandíbulas fossilizadas do animal. Os fósseis analisados pelos pesquisadores apresentam marcas intensas de desgaste, indicando que o polvo esmagava presas duras com frequência usando o bico, uma estrutura semelhante à vista nos polvos que conhecemos hoje em dia.

Além disso, também foi descoberta um desgaste desigual entre os lados direito e esquerdo das mandíbulas. Para os cientistas, isso pode indicar um comportamento lateralizado, como se ele preferisse atacar por um lado só, algo parecido com a preferência que humanos têm por uma das mãos. Esse tipo de assimetria costuma estar associado a animais com sistemas nervosos complexos e comportamento avançado, reforçando a hipótese de que o “Kraken do Cretáceo” também era um animal extremamente inteligente. 

Pesquisadores descobrem que antigos polvos gigantes já ocuparam o topo da cadeia alimentar dos oceanos

polvo-gigante-do-pacífico O polvo-gigante-do-pacífico, considerado o maior polvo vivo da atualidade, parece pequeno quando comparado ao Nanaimoteuthis haggarti, o “Kraken do Cretáceo”, que poderia atingir impressionantes 19 metros de comprimento há milhões de anos.

Durante muitos anos, os cientistas acreditaram que apenas os vertebrados gigantes, como mosassauros, plesiossauros e peixes predadores, ocupavam o topo da cadeia alimentar marinha. O novo estudo, porém, sugere que invertebrados também conseguiram atingir dimensões extremas e se tornar predadores dominantes.

Como os polvos possuem corpo mole, quase nunca deixam fósseis completos. Após a morte, seus tecidos se decompõem rapidamente, e apenas partes mais resistentes, como as mandíbulas, conseguem sobreviver ao tempo. A análise dessas estruturas permitiu aos pesquisadores estimar o tamanho do animal.

Usando como referência a proporção entre mandíbula e corpo de polvos de hoje, os cientistas concluíram que o Nanaimoteuthis haggarti poderia medir entre 7 e 19 metros de comprimento, superando o maior polvo vivo da atualidade, o polvo-gigante-do-pacífico, que mede entre 3,6 a 4,2 metros.

Além dessa espécie, o estudo também identificou um parente menor chamado Nanaimoteuthis jeletzkyi, que podia atingir entre 3 e 8 metros. Inicialmente, os dois animais eram classificados como parentes das lulas-vampiro, mas análises mais recentes mostraram que pertenciam ao grupo dos polvos-raiados de águas profundas, conhecidos cientificamente como Cirrata.

Curiosamente, descendentes desse grupo ainda existem hoje. Um dos exemplos mais conhecidos é o polvo-dumbo, um pequeno cefalópode de águas profundas que mede apenas alguns centímetros e vive em regiões oceânicas a mais de 3 mil metros de profundidade. 


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