Café pode fazer milagres para o cérebro: pesquisa revela que suas xícaras diárias estão te protegendo de doenças severas

Uma forma de "blindar" neurônios

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Aquele cafezinho que marca o início do seu dia pode ser muito mais do que um simples "empurrão" de energia. De acordo com um estudo de longo prazo publicado no prestigiado jornal JAMA, o hábito de consumir café ou chá moderadamente está ligado a uma proteção significativa contra a demência. A pesquisa revelou que o consumo ideal pode reduzir o risco da doença em até 35%, especialmente em pessoas com menos de 75 anos.

O estudo acompanhou mais de 131 mil profissionais de saúde por até 43 anos, monitorando seus hábitos desde a meia-idade. Os resultados indicaram que a "faixa de ouro" para a proteção cerebral fica entre duas a três xícaras de café por dia (cerca de 250mg a 300mg de cafeína). Curiosamente, o benefício não aumenta com doses maiores; após esse ponto, o efeito protetor se estabiliza, sugerindo que a moderação é o segredo.

Como a cafeína "blinda" os neurônios

Existem explicações biológicas fascinantes para esse efeito. A cafeína atua bloqueando a adenosina, uma substância química que naturalmente reduz a atividade de mensageiros cerebrais importantes, como a dopamina e a acetilcolina. Esses neurotransmissores são fundamentais para a memória e costumam ficar menos ativos com o envelhecimento e em doenças como o Alzheimer.

Além disso, o hábito regular de beber café foi associado a:

  • Menos placas tóxicas: pessoas que consomem mais de duas xícaras diárias apresentam níveis mais baixos de placas amiloides no cérebro, um dos principais marcadores do Alzheimer.
  • Redução da inflamação: compostos antioxidantes presentes no café e no chá ajudam a proteger os vasos sanguíneos e a reduzir processos inflamatórios no sistema nervoso.
  • Controle metabólico: a cafeína auxilia na regulação do metabolismo do açúcar no sangue, o que também reflete na saúde cognitiva.

O perigo do excesso

Um ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o desempenho do café descafeinado. Participantes que bebiam mais descafeinado apresentaram um declínio de memória mais acelerado. No entanto, os cientistas acreditam que isso pode ser um efeito de "causalidade reversa": muitas pessoas migram para o descafeinado após desenvolverem problemas de sono ou pressão alta — condições que, por si só, já aumentam o risco de demência.

Sobre o consumo exagerado, a ciência aplica a Lei de Yerkes-Dodson: o desempenho mental melhora com a estimulação até certo ponto; após o pico, o excesso de cafeína pode gerar ansiedade e insônia, prejudicando o cérebro em vez de ajudá-lo.

Para quem prefere o chá, a notícia também é excelente. O estudo descobriu que uma a duas xícaras de chá por dia oferecem uma proteção robusta. Embora o chá verde não tenha sido analisado isoladamente nesta pesquisa específica, outros estudos já sugeriram que ele possui propriedades neuroprotetoras potentes.


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