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Nunca é tarde demais para parar de fumar: os pulmões têm uma capacidade incrível de regeneração

Nas primeiras 24 horas após parar de fumar, já se observa uma redução do CO no sangue

Parar de fumar
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Fumar não faz bem aos nossos pulmões, que têm sua estrutura severamente afetada pelos danos causados pelo tabaco ou, no fim das contas, por qualquer substância que não seja oxigênio. Isso é algo bastante conhecido, mas a outra realidade é que, quando um fumante larga o cigarro, consegue recuperar parte do que foi perdido graças à grande capacidade de regeneração do órgão, impulsionada por células saudáveis que substituem as danificadas.

O grande salto na compreensão desse fenômeno veio com um estudo publicado na Nature em 2020, no qual foram analisadas as células que revestem nossos brônquios em fumantes, ex-fumantes e pessoas que nunca haviam fumado um cigarro.

Os cientistas observaram que, nos pulmões dos fumantes, havia uma grande quantidade de células que sofreram mutação e que poderiam desencadear câncer de pulmão. No entanto, quando o fumante abandona esse hábito, um grupo de células não mutadas e geneticamente semelhantes às de pessoas que nunca fumaram começa a se proliferar rapidamente.

Nesse momento, as células saudáveis, que haviam permanecido “escondidas” ou protegidas da fumaça, começam a se multiplicar para substituir as danificadas, que acabam morrendo para evitar que se transformem em um câncer de pulmão.

Nesse estudo, foi apontado que até 40% das células pulmonares em ex-fumantes são essas novas células de reposição. Esse processo de reparação ocorre inclusive em pessoas que fumaram um maço por dia durante 40 anos, o que é muito. É por isso que essa é a explicação para a queda acentuada no risco de desenvolver câncer de pulmão após parar de fumar, embora esse risco, logicamente, não desapareça.

A cronologia

A regeneração não é apenas genética, mas também mecânica e funcional, e isso fica claro nos diferentes eventos que acontecem quando se deixa o tabaco. Nas primeiras 24 horas, ocorre uma normalização dos níveis de monóxido de carbono no sangue, gerando efeitos que já começam a ser percebidos na capacidade respiratória e até na pressão arterial.

Nas semanas seguintes, começa a recuperação do tecido e a regeneração dos cílios, que são pequenas “vassouras” nos pulmões que ajudam a expulsar para cima o muco acumulado, fazendo com que as infecções respiratórias diminuam drasticamente. Após o primeiro ano, vemos como a capacidade pulmonar apresenta uma melhora considerável.

Apesar das boas notícias, especialistas e entidades como a SEPAR são prudentes ao destacar que a regeneração pulmonar é parcial, não total. Isso significa que o pulmão não volta a ser exatamente como o de um recém-nascido e que existem danos estruturais que são irreversíveis.

Doenças como enfisema pulmonar e fibrose pulmonar avançada persistem, já que o tecido destruído nesses níveis não pode se regenerar. Da mesma forma, no caso da DPOC, parar de fumar freia ou desacelera significativamente a progressão da doença, mas não cura o dano obstrutivo severo já instalado.

A capacidade de regeneração também diminui com a idade e com os anos acumulados como fumante. As células saudáveis acabam dominando o epitélio após anos de abstinência, mas sempre permanecem riscos residuais que não desaparecem.

Imagens | wirestock (Magnific)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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